“Toy Story 4”, que estreou na última quinta-feira (20), trouxe de volta para os cinemas uma voz bem conhecida pelos milhões de fãs da série no Brasil. O rosto, nem tanto. O G1 conversou com com Loureval Filho, conhecido como Zé da Viola, intérprete de músicas que marcaram a versão brasileira da saga do caubói Woody e seu fiel amigo Buzz Lightyear. Assista ao vídeo acima.

Após “Amigo estou aqui” e “Coisas estranhas”, entre outros sucessos dos três primeiros filmes da franquia, Zé gravou a versão em português da nova “The ballad of the lonesome cowboy”.

“Pensei que parariam no 3. Quando disseram que seria lançado o 4, eu não sabia se seria chamado. Quando recebi o telefonema para gravar a nova trilha, falei: caramba, que barato! Lá vou eu novamente!”, revelou, emocionado.

Zé da Viola se tornou a voz de “Toy story” quase por acaso. Foi gravar um CD em um estúdio quando o dono percebeu que sua voz era muito parecida com a de Randy Newman – intérprete da trilha original, em inglês – e propôs gravar um teste. Foi aprovado imediatamente.

Nascido na cidade do Rio de Janeiro, Zé da Viola se tornou mais conhecido depois que sua filha postou na internet um vídeo dele tocando e cantando a música tema da série. O vídeo foi repostado diversas vezes, atingindo mais de um milhão de pessoas.

Com apenas 30% da visão, Zé não consegue ler os comentários deixados pelos fãs. “Minha filha sempre vem e me mostra os comentários. São pessoas perguntando onde estou, falando o quanto marquei a vida delas, querendo saber o porquê de eu não ser um cantor famoso, que eu deveria ter mais projeção. Isso me deixa muito feliz.”

Antes de se tornar a voz de “Toy Story”, Zé tentou a vida na música com mais dois irmãos. Os três chegaram a gravar um CD pela Polygram, mas não emplacou. Depois da morte de um deles, e do outro trocar de carreira para a de dublador, ele seguiu solo.

Atualmente, tem se apresentado aos finais de semana em dois bares. Toca todos os ritmos musicais, mas a bossa nova, a MPB e o samba são os mais pedidos. O carinho dos fãs continua presente em suas apresentações.

“Certo dia, um cliente pediu para tocar ‘Amigo estou aqui’. Ao ouvir, um morador do prédio em cima do bar desceu e veio falar que minha voz estava eternizada, que havia crescido ouvindo a música. Isso não tem dinheiro que pague”, contou, orgulhoso.