A App Store chegou aos dez anos. Parece que foi ontem, mas foi precisamente em 10 de julho de 2008 que a Apple lançou sua loja de aplicativos para iOS com apenas 500 apps. Era um número grandioso para a época, mas que não se compara aos mais de 2 milhões de programas disponíveis para download de hoje, quando está presente em 155 países.

Nesta década de existência, a App Store mudou o jeito como as pessoas interagem com o celular, que passou a ser uma ferramenta para consultar o clima, jogar, viajar e conhecer pessoas. E isso, é claro, se reflete na economia. Segundo a consultoria App Annie, a loja do iPhone teve mais de 170 bilhões de downloads julho de 2010 a dezembro de 2017. Ela movimentou mais de US$ 130 bilhões (cerca de R$ 499 bilhões, pela cotação atual).

A grande sacada da Apple foi criar uma loja virtual onde outros desenvolvedores podiam oferecer serviços para os seus clientes. Desde o primeiro dia, a App Store foi aberta a criadores de software de diferentes abordagens, fossem eles independentes ou filiados a grandes empresas.

Essa característica tornou possível a criação de um número enorme de apps, em uma escala inalcançável caso a empresa concentrasse o desenvolvimento em suas próprias mãos. Com esse movimento, o iPhone pôde ser comercializado com o famoso slogan “there’s an app for that” (“existe um aplicativo para isso”, em tradução livre).

A empresa foi pioneira neste sentido no mundo mobile. A Google Play Store foi lançada três meses depois, em outubro de 2008, com o nome de Android Market. A loja da Microsoft nem sonhava em existir; ela só deu as caras em outubro de 2010, sob a alcunha de Windows Phone Marketplace. Entre os títulos do catálogo de estreia da App Store estavam o jornal New York Times, Tap Tap Revenge e eBay.

Poder jogar em qualquer lugar sempre foi um grande apelo, mas o sucesso dos games na telinha deve-se, em grande parte, à possibilidade de tocar simultaneamente em vários pontos da tela do iPhone e iPad. Além disso, a estabilidade dos dispositivos permitiu uma experiência fluida e sem travamentos durante a reprodução dos games, algo essencial para o bom desempenho dos títulos na loja de apps.

De acordo com o levantamento da App Annie, os games correspondem a 31% do total de download realizados na loja de aplicativos da Apple. Ao mesmo tempo, os jogos são responsáveis por 75% da arrecadação da App Store, o que corresponde a cerca de US$ 31,9 bilhões (cerca de R$ 123 bilhões) gastos pelos usuários no ano passado.

A própria introdução das compras dentro dos aplicativos revolucionou o mercado. Lançada em 2009, a possibilidade de baixar um serviço e testar algumas de suas ferramentas gratuitamente antes de comprá-lo ocasionou um boom nas vendas da App Store.

Os aplicativos de assinatura, como o Netflix, chegaram em 2011. Em 2016, esse tipo de serviço já era englobado por todas as categorias de apps da loja, como jogos, infantil, esportes, etc. Atualmente, mais de 28 mil softwares do iOS oferecem assinaturas, que aumentaram 95% no último ano.

Em junho de 2010, foram pagos US$ 1 bilhão (R$ 3,88 bilhão) para os desenvolvedores, englobando downloads pagos e compras internas. No mesmo período de 2018, a quantia passou para US$ 100 bilhões (R$ 388 bilhões) – isso mesmo, uma receita cem vezes maior em oito anos.

A evolução de diversas tecnologias na última década possibilitou uma mudança completa na maneira como nos relacionamos com os celulares. Foi graças a conexões mais rápidas, maior capacidade de processamento e melhoria das telas que o smartphone se tornou um verdadeiro centro de entretenimento, permitindo executar vídeos pesados em qualquer lugar.

A App Store foi testemunha e agente desse fenômeno, sendo palco do lançamento de aplicativos de streaming de músicas e vídeos, jogos de realidade aumentada e várias outras formas de diversão. Prova disso é o YouTube, terceiro app mais baixado da história da loja, atrás apenas do Facebook e Facebook Messenger.

Mas não é apenas para a diversão que os usuários recorrem à App Store. A loja também viu crescer a popularidade dos apps fitness e de saúde, especialmente após o lançamento do relógio inteligente Apple Watch, em 2015. De lá para cá, os downloads desse tipo de aplicativo aumentaram 75%.

Outra categoria em ascensão é a de serviços de acessibilidade. O catálogo presente reúne programas destinados aos mais diferentes tipos de deficiência, sejam elas físicas ou cognitivas. Além disso, aplicativos de uso comum, como Twitter e TED, incorporaram os recursos de acessibilidade do iOS, tais como o VoiceOver, aumentando a capacidade de inclusão dessas plataformas.

O surgimento do iPad, em 2010, abriu um leque de novas possibilidades aos apps. Com a tela maior, o tablet passou a atrair ilustradores, arquitetos e outros profissionais que podiam fazer criações digitais em um display com proporções maiores, e, ao mesmo tempo, leve e portátil.

Um dos aspectos mais interessantes da mudança que a App Store proporcionou é o interesse dos jovens pela programação. Com ferramentas que facilitam a criação de apps para o iOS, a Apple viu, ao longo dos anos, o número de desenvolvedores crescer bastante.