Faz isso com o corpo. É um MC, um cantor, mas sua presença está a serviço da performance, da ideia. Faz isso com as peças de roupa e acessórios que cria —procure saber sobre os tênis, bonés, mantos, capacetes, bonecos que ele constrói usando lixo tecnológico, embalagens de remédio e perceba se não faz sentido conectá-lo com a arte de Arthur Bispo do Rosário.

Como outros de sua geração, a música não está dissociada da imagem no trabalho de Edgar. Produz curtas, fez um álbum visual, dirige seus clipes. Esse aspecto é importante porque não existe som sem imagem no que ele cria. Motivo simples: suas letras são paisagens, filmes, fotografias de um futuro-pretérito.

Como se descrevesse suas visões, num cruzamento entre “Mad Max” e “Blade Runner”, Edgar conta histórias que não raro provocam engulhos. “O futuro é uma criança com medo de nós” é apenas uma dessas epítomes que se transformarão em mantras. Mas há outras, muitas outras.