RIO – Bem em frente ao superlativo
Rock in Rio
com suas atrações internacionais, roda gigante, preços inflacionados e presença de 100 mil pessoas por dia, outro festival de música tenta bater de frente com o megaevento de Roberto Medina. Improvisado nos 3 mil m² do estacionamento de uma churrascaria (cerca de 128 vezes menor que os 385 mil m² da Cidade do Rock) , a primeira edição do
Park Grill Rock Beer
traz um line up com nomes do rock de garagem carioca do quilate de Banda Cheiro de Rock, O Trampo, Banda Zé Carioca e Luciano Santos e Banda. 

— Como é a primeira vez do evento as pessoas ainda não conhecem, mas ele tem tudo para bombar daqui pra frente — afirmou o vocalista do Cheiro de Rock, Marco Branco, que toca clássicos do gênero como Pink Floyd e Rolling Stones.

Apesar do organizador
Claudinho Mill
garantir que não quer concorrer com o festival vizinho, o clima é quase de afronta. A entrada? É grátis – contra os R$ 495 do outro lado da rua. Cerveja? Uma Budweiser, concorrente da Heineken que patrocina o Rock in Rio, sai por R$ 6,99 (do outro lado é R$13). Em frente ao evento há ainda uma ação promocional da 99 Táxi – concorrente da Uber, parceira do megaevento. E se na Cidade do Rock um balde de pipoca sai por R$ 30, quem chega no Park Grill Rock Beer ganha um baldinho de brinde.

Mill diz que no primeiro fim de semana o movimento foi fraco (“a chuva atrapalhou”), mas a expectativa é atrair mais gente até domingo quando o festival encerra junto com o Rock in Rio. E ele também aposta na diversidade de atrações além da música: no estacionamento há food trucks, além de brinquedos como tiro ao alvo, pescaria, escorrega inflável e um espaço kids. Dois banheiros atendem o público.

Mesmo com uma plateia com pouco mais de 30 pessoas na noite de sexta-feira, Claudinho Mill, que também é locutor de rádio, não desanimou e subiu no palco para anunciar a banda Cheiro de Rock. Ele antecipou o início do show por conta da presença da reportagem de O GLOBO, interrompendo a cervejinha e o tira-gosto dos músicos da banda. No microfone, convocou os moradores dos condomínio Rio 2 e Bora-bora, vizinhos do restaurante, a descerem para curtir uma agradável noite de rock.

— Esse evento é uma forma de agradar as pessoas que estão sendo prejudicas pelo Rock in Rio, uma forma de oferecer lazer aos moradores da Barra — afirmou Mill, que teve a ideia de ocupar o estacionamento da churrascaria por conta das ruas interditadas que impossibilitam a clientela de chegar de carro no restaurante.

O local virou uma espécie de ovelha negra no baixo Rock in Rio — os arredores boêmios da Cidade do Rock. Neste entorno, lojas de conveniência contam com espaços da Heineken que ficam cheios durante a tarde, quando o público que chega para o festival para para fazer um “esquenta”.

— Acho que o movimento deve ter mais do que triplicado — disse uma funcionária da loja de um dos postos de gasolina da Avenida Abelardo Bueno. — Já, nas bombas de gasolina, quase não temos vendido.

Apesar de reconhecer a importância do Rock in Rio para a economia da cidade, Claudinho Mill também faz críticas aos transtornos a comerciantes e moradores do entorno da Cidade do Rock.

— O Rock in Rio fez eu ficar rico? Não — avalia o empresário, num misto de crítica e resignação. — Os clientes que normalmente vêm aqui não conseguem chegar durante o evento. Por outro lado, vêm muitas pessoas que param antes de entrar no festival.

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