Com o apagar das quatro estrelas e de todas as luzes do prédio de 29 andares do Belo Horizonte Othon Palace Hotel, que no próximo sábado completa seis meses do encerramento de suas atividades, o clima é de insegurança nas imediações por conta da sensação de abandono. O prédio, com 296 quartos, construído em 1978 em formato de meia-lua na avenida Afonso Pena com ruas Bahia e dos Tupis, no centro da capital mineira, não foi vendido, e o seu futuro é incerto.

Durante quatro décadas, o Othon foi referência no setor hoteleiro belo-horizontino, pelas instalações de luxo, pela efervescência cultural e por receber celebridades e chefes de Estado. Atualmente, no lugar do tapete vermelho, que invadia parte da calçada, há restos de comida e sujeiras deixadas por moradores de rua.

Gerente de lanchonete ao lado do hotel, Vânia Rocha estima queda de 20% nas vendas por conta do “sumiço” dos hóspedes. “Eles costumavam descer por volta das 19h para lanchar aqui. O hotel funcionou por 40 anos, e não sabemos o que vão fazer com ele. Os mendigos já estão dormindo na porta e podem invadir o prédio a qualquer momento. Não há segurança, não tem nada ali”, reagiu a gerente.

Para taxistas do ponto ao lado, o movimento de passageiros caiu 80%. “Os taxistas ‘piolhos do hotel’ não param mais aqui”, comentou Jorge Luiz Martins, 59. “Agora, está dando muito morador de rua na porta do hotel. Inclusive, um deles levou um choque tentando furtar fiação elétrica em frente”, disse o taxista, lembrando episódio ocorrido em 11 de fevereiro.

O escritor Jorge Fernando dos Santos, 63, perdeu as contas das celebridades que entrevistou no hotel, como jornalista. “O Othon faz parte da história cultural e política, das celebridades e da história social de Belo Horizonte. É uma pena que ele tenha sido fechado e se transformado em um prédio-fantasma”, lamenta Santos, que ressalta alguns entrevistados.

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“José Saramago, Astor Piazzolla, Tom Jobim e Fernanda Montenegro. Tive um jantar no hotel com a Nara Leão. O Othon era, para mim, um lugar importante, onde a gente ia para trabalhar e conhecer celebridades”, conta o escritor. Ele lembra que do restaurante Varandão, no último andar e ao lado da piscina, dava para ver o horizonte na capital mineira. “Uma vista maravilhosa”, comentou.

Ex-gerente geral do Othon e dono da empresa que prestava consultoria ao hotel, Maarten Van Sluys conta que a hóspede mais marcante que recebeu foi a primeira-dama da França, Danielle Mitterrand, em 2010. “Eu quem a recebi e a acompanhei até a suíte presidencial”, disse ele, lembrando que o quarto 2.301 tem 120 m² e uma banheira em mármore de Carrara. Ele ocupa metade do 23º andar do hotel. “Na outra metade do andar estão quatro suítes menores, que a gente chamava de suítes de governador”, contou.

“Acho que não vai ser uma negociação fácil. Há um passivo muito grande. O prédio está defasado no âmbito das instalações, e uma reforma seria muito cara, principalmente na parte de rede hidráulica, refrigeração, ar-condicionado e elevadores”, disse Maarten.

Interesse. Donos de hotéis estão de olho no mobiliário do Othon. “O estilo retrô é muito bonito”, disse Patrícia Coutinho, que tem dois estabelecimentos. “As peças ainda não estão à venda”, lamenta.

Fechamento. A Diretoria da Hotéis Othon informou que as operações na unidade Belo Horizonte foram suspensas devido às condições momentâneas de mercado na cidade, que foi impactado pela crise. “O prédio está sendo bem mantido com segurança 24 horas. A administração da companhia estuda seu futuro e não descarta quaisquer possibilidades”, informou. Segundo Maarten Sluys, ex-gerente do Othon, “o hotel tem um passivo muito grande com impostos”.

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