CARA NORMAL - Moby: “Sou só um careca que usa óculos. O mundo está cheio de caras assim” – Grammophon Records/.

Em uma prosaica cena de Moby Doc, o DJ nova-iorquino entra numa loja de bebidas de Las Vegas para comprar água. Notando as câmeras, o vendedor questiona o músico: “Vocês estão fazendo um filme?”. Moby responde que sim, um documentário sobre ele mesmo. Sem entender como aquele cara sem graça poderia valer um filme, o vendedor pergunta aos assistentes de câmera se são eles os famosos ali. Ao perceber que não fora reconhecido, o DJ que já vendeu mais de 20 milhões de discos em quase quarenta anos de carreira paga a conta e deixa a loja sorrindo. A poucos metros, um helicóptero aguardava para levá-lo a um show no Electric Daisy Carnival, um dos maiores festivais de música eletrônica do mundo. “Sou só um careca que usa óculos. O mundo está cheio de caras assim. E todos parecemos iguais”, explicou Moby, sem mágoas, em entrevista a VEJA (leia na página ao lado).

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A despeito da aparência física frugal, Moby, de 55 anos, sabe que sua vida não teve nada de entediante. Depois de superar uma depressão e o vício em drogas e álcool, que quase arruinaram sua carreira e fizeram-no até pensar em suicídio, ele decidiu recontar a própria história. Em 2016, publicou um livro de memórias, dividido em dois volumes. Agora, no dia 28, lança nos cinemas americanos o filme Moby Doc e nas plataformas de streaming o álbum Reprise, com reinvenções espertas de seus sucessos.

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No documentário, feito em parceria com o cineasta David Lynch, sua história é narrada com ênfase nos fartos lances surreais. Moby relembra a estranha criação que recebeu da mãe riponga e os dois anos em que morou sozinho no galpão de uma fábrica abandonada, onde aprendeu a ser DJ. Naquele período, fundou também uma banda punk. O sucesso veio quase por acaso. Multi-instrumentista, ele transcendeu os inferninhos da metrópole ao misturar a música eletrônica com o rock, transformando-se em um dos primeiros DJs-celebridades do mundo. Mas o êxito veio acompanhado de um perigoso mergulho nas drogas. Moby confessa que não foi ao funeral da mãe porque estava dormindo alcoolizado.

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Apesar de toda a carga dramática, é claro que ele exibe muitas glórias e histórias divertidas em sua trajetória. Uma anedota impagável se deu no dia em que David Bowie bateu na porta de sua casa (não mais aquele velho galpão, mas um espaçoso apartamento no coração de Manhattan) para dizer que era seu vizinho, e convidou-o para um café. O encontro evoluiu para amizade e colaborações musicais. Moby não tem a estatura pop de seu vizinho, mas seu currículo é respeitável. A sequência atordoante de hits de seu disco de releituras passa pelo primeiro grande sucesso, Go, além de Natural Blues e Why Does My Heart Feel So Bad? — e a matadora Extreme Ways, tema dos filmes da franquia Bourne. “Alguém poderia dizer que tudo isso seria apenas narcisismo. Mas eu tive uma vida estranha e, com sorte, aprendi algumas coisas”, diz.

Livre dos vícios e ativista vegano há mais de vinte anos, o baladeiro-mor da era das raves hoje se considera uma pessoa careta: “Adoro fazer shows. Mas minha maneira favorita de passar o tempo é tocar covers de Led Zeppelin ao violão com os amigos em casa”. Após flertar com a morte, Moby descobriu que, sim, existe vida após a balada.

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Publicado em VEJA de 26 de maio de 2021, edição nº 2739

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