Fani Pacheco nunca escondeu que sofre com a depressão desde a adolescência, nem mesmo quando estava confinada no Big Brother Brasil 7 e ficou conhecida no Brasil inteiro. A estudante de medicina diz que foi diagnosticada com depressão endógena, causada por fatores de origem biológica e/ou hereditária e teve seus primeiros sintomas ainda na adolescência.

“Cuido desde os 14 anos e, depois, foi recorrente aos 18, 20 e 22 anos. No meu caso, é genético, tenho de tratar para o resto da vida e é um desequilíbrio bioquímico do meu cérebro. A depressão pode aparecer por um acúmulo de frustrações ou alguma situação que somatiza os problemas e tem um desnível bioquímico no cérebro em que a medicação ajuda a nivelar. A psicoterapia é uma forma de resolver esta situação que ficou pendente, esses comportamentos emocionais que somatizaram, e a depressão não volta a acontecer. Precisa solucionar a causa. O importante é tratar da saúde mental como trata o resto do corpo”, explica.

Hoje aos 36 anos, ela diz que seu tratamento foi até os 30 e a morte de sua mãe, Adele Mara, ocorrida em junho de 2014, desencadeou um novo quadro depressivo pós-luto que foi independente da endógena, ocasionado por causa da frustração.

“Não foi desiquilíbrio químico, foi algo circunstancial por um desiquilíbrio emocional grave que me deixou sem chão. Até eu me estabelecer, me deixou deprimida. Não é algo patológico. Existe um prazo para ela existir e é saudável viver esse luto para que a pessoa possa continuar sua vida. Sofrer é necessário para viver aquela etapa e conseguir. A síndrome do pânico foi uma resposta do meu corpo gritando por socorro, pedindo atenção para mim. O corpo grita para que a gente pare. Foi um sinal de alerta que o corpo e a mente precisam descansar”, lembra.

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A ex-BBB conta que sempre tem de estar alerta com a saúde e atenta aos sinais da depressão, principalmente por ter um histórico de uma mãe que sofreu com a esquizofrenia, uma doença psiquiátrica que altera o funcionamento da mente e provoca distúrbios do pensamento e das emoções, mudanças no comportamento, além de perda noção da realidade e do juízo crítico.

“Então sempre fiquei alerta. Conviver com um doente mental é muito difícil porque precisa saber separar a vida dele da sua sem se culpar. Eu sempre fiz acompanhamento psicológico para aprender a separar a doença mental da minha mãe do cuidado necessário para não se tornar um co-dependente da doença. Sempre estou atenta. Temos de fazer um check-up na saúde mental também, olhar para dentro. São sentimentos intrínsecos que não aparecem em exames de imagens e não tem laudos palpáveis.”

Fani conta que, ainda no BBB, aprendeu a observar mais os comportamentos humanos e se percebeu analisando os perfis de seus colegas de sala, sem julgar, mas compreendendo cada um com sua atitude, tentando entender todos eles. Por este motivo e por conta de seu histórico pessoal e familiar, ela escolheu cursar medicina psiquiátrica. 

A estudante lembra que convivia com esta especialidade na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde sua mãe fazia tratamento, e salienta que ela era atendida por residentes que não tinham um trabalho humanizado.

“Sou contra este conceito. Sou do time trata o paciente como um todo e não como uma doença. Ele é um ser humano. Tem de avaliar o aspecto físico, mental, emocional, humano, com carinho e alegria. Acredito que seja necessária uma consulta médica que tenha um carinho e uma troca entre médico e paciente. Tem de haver essa troca, uma humanização e afetividade. Sem isso ou um olhar mais delicado para como indivíduo não é possível tornar a vida dele melhor. O medicamento cura, mas não fideliza um paciente ao tratamento para cuidar da sua saúde.”

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Como já tem uma experiência empírica com a psiquiatria, Fani fala que muitos de seus seguidores enviam mensagens de pessoas que sofrem com esquizofrenia e ela tenta orientar para que procuram um profissional especializado por não estar completamente apta para isso.

“Como ser humano meu dever é tentar ajudar da melhor maneira possível. Uso meu histórico como exemplo para ajudar essas pessoas e dar uma esperança de superação. Elas dizem que é muito difícil porque estão no limite. Eu tento convencer que não devem desistir. Incentivo a buscar um profissional humanizado, que é difícil, mas possível”, recomenda.

“Quando estava depressiva, eu sabia que tinha motivos para estar feliz, mas não estava. Era algo incontrolável porque não é racional. Por mais que se prove que você tem todos os motivos para ser feliz, você não é. Hoje posso dizer que sou totalmente feliz como era antes da minha mãe morrer, mas demorou muito tempo. Foi um trabalho de psicoterapia comportamental e não desistia de mim. A gente tem de ser feliz por estar vivo. Não é fácil. Tem de ter um nível de autoconhecimento e desprendimento material, do que os outros pensam, de satisfação pessoal, de legitimidade, seu papel no mundo e seu propósito de vida”, finaliza.

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