postado em 25/04/2021 08:00

Mirella Qualha raspou o cabelo e começou a usar as perucas no primeiro dia de quarentena – (crédito: I am Mirella/Instagram)

As laces de cabelo se tornaram um dos acessórios de beleza mais desejados dos dias atuais. Originárias das perucas usadas desde o antigo Egito, ganharam a atenção do público brasileiro após Camilla de Lucas, participante do Big Brother 21, usá-las no confinamento.

Queren Hapuque Costa dos Santos, proprietária do Studio Afro Nega do Pixain (@negadopixain), justifica o sucesso: as laces são usadas para transformar a aparência, mas sem danificar ou promover mudança definitiva. “As perucas são para fantasias porque são artificiais. Mas as laces são para se montar, colecionar, mudar o visual, por conta da aparência mais natural.”

Shirlei Oliveira, supervisora técnica da Salon Line, conta que Christina Jenkins patenteou a primeira lace em 1951. “Em 2003, ela foi reconhecida pelo congresso estadunidense por ter descoberto, na década de 1940, que era possível a tecelagem de fios”, afirma a cabeleireira e educadora técnica. Mas se popularizaram mesmo na década de 1990, quando famosos como Beyoncé, Toni Braxton, Viola Davis e Whitney Houston começaram a utilizar o acessório.

Tratam-se de cabelos costurados com uma pinça especial sobre uma tela fina, que resultam em um acabamento mais natural em comparação a uma peruca. Por isso, não é possível perceber que não é o cabelo de quem está usando. “Elas são fáceis de usar, podendo ser colocadas ou removidas em qualquer lugar, sem o auxílio de um profissional”, diz Shirlei.

Para Raquel Ferreira, proprietária da empresa Bonita Shop Laces Wig, um dos motivos do sucesso das laces — e ao mesmo tempo uma das grandes vantagens — é justamente porque elas são facilmente aplicadas. “Ao contrário do mega-hair, você pode aplicar uma lace wig sozinha e em poucos minutos.”

Benefícios

As laces ganharam notoriedade com Camilla de Lucas no BBB 21 (foto: Globo/Reprodução)

Por conta da praticidade, muitas mulheres adotam as laces durante o período de transição capilar — momento em que param de usar produtos químicos e voltam para o cabelo natural — e após o abuso de processos químicos, como alisamento ou descoloração, que deixam os fios fragilizados.

“São muito utilizadas por pessoas com alopecia (falha no couro cabeludo) ou com doenças que causam queda capilar. Mas, também, pela possibilidade de satisfação pessoal em ter vários estilos de cabelo, cortes, curvaturas e fios, sem realizar nenhum processo”, ressalta Shirlei.

As laces podem ser produzidas com cabelos naturais ou com fios sintéticos. No primeiro caso, os modelos são mais caros, porém têm alta durabilidade se forem bem confeccionados. Outro benefício é que, de tão natural, são até confundidas com os próprios fios. “As laces naturais suportam processos químicos, como luzes ou coloração. Já a de cabelo orgânico (os modelos sintéticos) não permite o uso de químicas e, após um tempo, tende a perder a aparência natural”, explica.

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Um acessório bem confeccionado de cabelo natural pode ser encontrado a partir de R$ 700, variando de acordo com comprimento, qualidade e densidade. Ao levar tudo isso em consideração, pode chegar a custar R$ 8 mil. Já as de fios orgânicos são encontradas entre R$ 100 e R$ 800.

Como colocar e cuidar?

 

Shirlei recomenda colocar as laces com presilhas, telas em elástico ou coladas com colas específicas — dermatologicamente testadas e hipoalergênicas para não causar irritação à pele. Se for colocada com materiais inapropriados, podem danificar a pele da testa e o próprio cabelo. “É preciso preparar o cabelo, certificar-se que esteja bem preso e limpar a pele ao redor do couro cabeludo para eliminar as impurezas e, assim, fixar melhor”, aconselha.

É importante também ter cuidado na hora de lavar os fios para que eles não fiquem embaraçados. Devem ser lavados com a lace fora da cabeça, todo o cabelo esfregado na mesma direção, com movimentos suaves. “Ao secar, o ideal é usar a temperatura fria ou média do secador”, recomenda Shirlei. Já com as laces sintéticas, de náilon e fibra, o secador precisa estar no morno, para não derreter os fios. Na hora de pentear, dê preferência a pente de dentes largos.

Depois de usar a lace por algum tempo, é importante deixar o couro cabeludo respirar. E nunca colocá-la com a cabeça molhada, para não criar fungo. Queren alerta para os produtos usados para lavar as laces. O melhor é dar preferência aos cosméticos profissionais. “Não use quando estiver com a cabeça ou a lace molhada. Lave-a semanalmente, deixando secar por completo. Não use 24 horas por dia e, se possível, não durma com a peça.”, resume.

Para o modelo que precisa ser colado, é recomendado ficar de quatro a cinco dias sem usá-lo, para que o couro cabeludo possa respirar. “Elas podem resultar em descamação no couro por abafamentos. E as de presilhas, se muito apertadas, podem causar alopecia”, alerta Shirlei. Raquel esclarece, porém, que, na maioria das vezes, as colas e os adesivos não são mais necessários. “A maioria das wigs vem com pequenos pentes internos que servem para fixá-la no cabelo. Também possuem elásticos internos que ajudam no bom encaixe e fixação.”

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As laces feitas de cabelos naturais precisam sempre de hidratação, higienização e escovação. Já as de fios orgânicos devem usar produtos de manutenção feitos especificamente para esse tipo de material.

Versatilidade

Neuryanne Martins adotou as laces durante a transição capilar (foto: Neuryanner/Instagram)

A digital influencer Mirella Qualha começou a usar as laces em 2020, no primeiro dia da quarentena. Ela conta que queria mudar um pouco o seu estilo, raspou a cabeça e decidiu apostar nas laces. “Tenho em torno de 15 laces de diferentes modelos e cores. Gosto do poder de me transformar e da liberdade de ter o cabelo que eu quero cada dia”, explica.

Ela comenta que, no início, foi difícil se adaptar aos cuidados das laces pelo fato de não ter nenhuma prática. Mas, hoje, costuma fazer tudo com mais agilidade e sempre tomando os cuidados. “Para manter sua lace em perfeito estado, é importante fazer a manutenção com secador e chapinha, mas tem que ver se sua lace aguenta calor. Se não, ela derrete”, aconselha

Para Mirella, as laces têm o poder de melhorar a autoestima. “A liberdade de ter o cabelo de qualquer cor sem agredir o seu natural é realmente uma coisa que mexe com nossa autoestima”, explica. Ela recomenda sempre pesquisar sobre as fibras, porque elas fazem total diferença na aparência e na hora de cuidar. As laces dela são todas sintéticas, mas muito semelhantes ao cabelo natural.

A digital influencer Neuryanne Martins, 20, começou a usar as laces no início do processo de transição capilar. “O que mais me atrai é que, a cada dia, estarei com um visual diferente”, conta. Para aplicá-las, ela trança todo o cabelo natural, põe uma touca de meia e, por fim, coloca com todo o cuidado para não ficar torto ou com o cabelo natural para fora da lace.

Neuryanne acha superfácil cuidar do acessório. Ela lava as perucas com água morna e amaciante e deixa secar ao natural. “Tenho três laces: uma grande cacheada platinada, outra até o ombro lisa e roxa, e uma preta curta cacheada.”

E aconselha quem tem receio ou preconceito em aderir à novidade. “Não precisa ter medo de usá-las. Não danificará seu cabelo e elas não cairão na rua. Você vai economizar porque não precisará ir sempre ao salão. É só colocar uma lace e você estará pronta”, recomenda. “Procure sempre comprar em sites confiáveis. Uma lace bem cuidada só completa nosso visual, trazendo autoestima e mudanças”.

Os modelos

Front lace: esse modelo tem uma renda fina na frente do cabelo, que é colocada sobre a testa. Desse modo, facilita a montagem e também faz com que a aparência seja mais discreta, porque o material da base dos fios se parece com a pele humana.Full lace: é mais maleável, flexível e natural e, por isso, possibilita a produção de penteados. Sua confecção em tecimento é feita fio a fio e manualmente, o que dá a aparência de que os fios de cabelo nasceram do couro cabeludo.Lace wigs: é um tipo de peruca que caiu nas graças das mulheres devido à sua aparência natural. Sobretudo porque aqui no Brasil, esse tipo é um dos mais usados pelas famosas que aderiram à moda. Reúne os dois tipos mais naturais de peruca (full lace e o front lace) em uma só. O cabelo usado nesse modelo é o sintético, portanto deixa o custo mais baixo.Silk top: é um tipo de peruca cujo material usado para o tecimento, um tipo de silicone, chega muito próximo à aparência do couro cabeludo. A parte superior é tecida manualmente, fio a fio, e o comprimento é confeccionado à máquina. Esse tipo de peruca é presa na cabeça com um tipo de pente ou tique-taque.Monofilamento: também possui uma aparência bem natural, pois sua confecção é feita fio a fio. A base para prender os fios de cabelo é o nylon, um material que dificilmente provoca alergia. Esse tipo de peruca é bastante usado pelas pessoas que sofrem de alopecia ou calvície. O seu custo-benefício é um dos principais pontos positivos.

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Famosas investem nas laces

Ludmilla, cantora (foto: Ludmilla/Instagram)

Celebridades como Anitta, Marina Ruy Barbosa, Taís Araújo e Bruna Marquezine já utilizaram laces em alguns eventos importantes e em fotos para campanhas publicitárias. Essas mudanças repentinas no visual chamaram a atenção do público. A cantora Ludmilla também é uma das adeptas. Ela gosta tanto, que criou uma marca de laces, a Lud Hair Boutique. Com cores, tamanhos e texturas variadas, a marca se tornou uma queridinha entre as brasileiras. As perucas para a loja da artista são confeccionadas em um estúdio na Flórida, Estados Unidos.

*Estagiária sob a supervisão de Sibele Negromonte 

As laces ganharam notoriedade com Camilla de Lucas no BBB 21
Foto: Globo/Reprodução

Neuryanne Martins adotou as laces durante a transição capilar

Foto: Neuryanner/Instagram

Anitta, cantora

Foto: Anitta/Instagram

Marina Ruy Barbosa, atriz Foto: Marina Ruy Barbosa/Instagram

Taís Araújo, atriz

Foto: Taís De Verdade/Instagram

Bruna Marquezine, atriz

Foto: Bruna Marquezine/Instagram

Ludmilla, cantora

Foto: Ludmilla/Instagram

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