“Ontem à noite, em um debate, me perguntaram se eu não sinto vontade de desistir. Sim, eu sinto. Todos os dias. Ao contrário do que muitos pensam, a violência política está cada vez mais intensa. O último mês foi muito agressivo e me impactou muitíssimo”, desabafou em sua rede social a ex-deputada federal Manuela d’Ávila (PCdoB), que mais uma vez foi vítima de ataques de ódio e ameaça de morte. Ataques esses também direcionados à sua filha Laura, de cinco anos. 

Segundo relatou Manuela, um pai de uma aluna da escola de sua filha, cuja identidade é conhecida, “o que torna tudo ainda mais cruel”, fez uma foto da menina e a entregou para os grupos que distribuem ódio nas redes. “A partir disso, todo o submundo da internet passou a usar a imagem dela para nos agredir. São muitos anos de violência. Como vocês sabem, quando Laura ainda era um bebê de colo, foi agredida fisicamente em função de uma mentira distribuída amplamente na internet. De lá pra cá, muitas coisas aconteceram. Mas nenhuma jamais havia envolvido sua escola e algum pai de colega”, escreveu.

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Ela afirma que “foi devastador” lidar com a situação. “Ver a imagem sendo usada por toda essa gentalha que vive as nossas custas, diz que é político e só faz o mal foi uma violência imensa”, afirmou. 

Após a manifestação, uma rede de solidariedade através das redes sociais se formou. Personalidades artísticas, políticas, movimentos sociais, centrais sindicais e religiosas demonstraram apoio à Manuela. Entre as figuras públicas, nomes como Caco Ciocler,  Felipe Neto, Gregório Duvivier, a diretora de cinema Petra Costa, as atrizes Leandra Leal, Mel Lisboa, Julia Lemertz, o cantor Tico Santa Cruz, as cantoras Daniela Mercury e Zélia Ducan, a filósofa Màrcia Tiburi.   

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No meio político, nomes como senador Randolfe Rodrigues (Rede-AM), os deputados federais gaúchos, Maria do Rosário e Henrique Fontana, ambos do PT, Alessandro Molon (PSB-RJ), Guilherme Boulos (PSOL), Ciro Gomes (PDT) e companheiros de partido da ex-deputada. 

Em nota divulgada na sexta-feira (4), as centrais sindicais CUT, Força Sindical, UGT, CTB, Nova Central, CSB, CGTB, Conlutas, Pública, Intersindical e Intersindical Instrumento de Luta declaram apoio. Também o Movimento Sem Terra (MST), o Comitê em Defesa da Democracia e do Estado Democrático de Direito, o Levante Feminista Contra o Feminicídio do Rio Grande do Sul, o coletivo AVÓS das Lauras, Joanas, Claras, Marinas, entre outros.

Manuela também foi citada em missa do padre Júlio Lancellotti. “Manuela d’Ávila, nós estamos com você, que ninguém te ameace, nem ameace tua filha, nós estamos com você. Deus te proteja e te guarde”, disse o religioso.

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Abaixo algumas manifestações

Trabalhadores Sem Terra

“Manuela tem enfrentado bravamente os crimes de ódio e as campanhas difamatórias, o que engrandece a sua referência política na juventude e nas forças progressistas. A onda conservadora que levou Jair Bolsonaro à presidência, que liberou as expressões mais viscerais do ódio de classe, de gênero e de raça, repulsa cada dia mais a sociedade. O acirramento da polarização política estimula a extrema-direita a perpetuar esse tipo de violência, que causa danos coletivos, alimenta medo e terror, típicos do bolsonarismo”, escreveu, em nota, o MST. Leia aqui a nota completa.

Centrais sindicais

As centrais sindicais fazem uma relação do caso de Manuela à situação política, marcada pelo ressurgimento da extrema-direita no país. É “um caso que revela uma cultura de misoginia, ódio, perversidade e violência que infelizmente persiste em segmentos da nossa sociedade e que pavimentou a grave situação política que vivemos no Brasil atualmente”. Estenderam o apoio a todas e todos que vivem “situações que constrangem, ameaçam e aterrorizam mulheres e crianças”, destacou a nota das centrais. 

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Comitê em Defesa da Democracia e do Estado Democrático de Direito

A nota do Comitê em Defesa da Democracia e do Estado Democrático de Direito destaca “o respeito e a tolerância entre aqueles que têm diferentes formas de compreender o mundo como uma condição imprescindível para o convívio civilizado e para uma sociedade democrática”. E manifesta “total repúdio à campanha de ódio e violência” que fez uso criminoso da imagem de sua filha, com ameaça de estupro para a criança e de morte para ela.

“Mais do que manifestação de intolerância, estas ameaças constituem atos criminosos que devem ser investigados e punidos, nos termos da lei, pelos órgãos responsáveis, que vão da Polícia Civil ao Ministério Público e Poder Judiciário do Rio Grande do Sul”, entende o Comitê

AVÓS das Lauras, Joanas, Claras, Marinas

“Estamos com Laurinha”, afirma o coletivo, ao cobrar das instituições públicas que cumpram a Constituição, o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Código Penal. Exigem “que a Polícia Civil do RS, o Ministério Público do Estado do RS e o Poder Judiciário do Estado do RS, tomem TODAS AS PROVIDÊNCIAS CABÍVEIS para apurar e responsabilizar todos os envolvidos nesse ato inominável”.

“Se és AVÓ e/ou uma pessoa que não admite esse tipo de ação sofrida por uma criança de 5 anos, para atingir sua Mãe Manuela d’ Ávila e sua família, se engaje nessa campanha e divulgue nas suas redes sociais”, afirmam.

Levante Feminista Contra o Feminicídio do RS

O Levante Feminista Contra o Feminicídio do Rio Grande do Sul repudiou todas as formas de violência contra as mulheres e declarou “nosso horror e indignação com as ameaças de estupro à filha da ex-deputada Manuela D’Avila, de apenas cinco anos, assim como a reiteração de ameaças de morte a essa liderança política”. O movimento destaca que “a violência de gênero por meio das redes sociais funciona como tortura psicológica, uma forma de pressionar, silenciar e tentar retirar as mulheres da política”. 

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“As atuais ameaças a filha de Manuela, que envolvem integrantes do governo municipal de Porto Alegre, ultrapassam todos os limites e exigem uma pronta apuração e a responsabilização pelos seus autores”, afirmam. Também cobram das instituições públicas que cumpram a Constituição, o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Código Penal e tomem todas as providências “para apurar e responsabilizar as pessoas que fizeram a fotografia desta menina e a distribuíram, assim como as pessoas que fizeram as ameaças de estupro e morte às vítimas”. 

“Machistas estão, mais uma vez, tentando calar as mulheres na política, decretar sua morte simbólica, mas estamos atentas e juntas: não seremos silenciadas”, afirmam, declarando sororidade a Manuela e sua família.

Polícia acompanha o caso

Manuela comunicou que a polícia já está acompanhando o caso. O que segundo ela não diminui o medo, a tristeza, a culpa por ver as pessoas que  ama submetidas a essa gente inescrupulosa. “São anos vivendo assim. A gente mal toma ar de uma agressão e vem a próxima”, disse.

“Mas quando a gente respira a gente lembra que tem um mundo pra mudar. Que tem um genocida no governo. Que tem mãe enterrando filho e filho enterrando mãe. Que tem criança trabalhando. Se todos os dias tenho vontade de desistir, todos os dias me lembro das imensas razões que temos para continuar”, frisou.

Fonte: BdF Rio Grande do Sul

Edição: Marcelo Ferreira

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