O filme Temporada (MG) é o grande vencedor do 51º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. André Novais Oliveira, diretor do longa, dedicou o prêmio à mãe, falecida recentemente. Maria José Novais Oliveira estrelou outros trabalhos dele, como Ela Volta na Quinta (2013) e Quintal (2015), ambos exibidos e premiados na mostra, e também fez uma ponta no novo longa do filho. O título saiu da cerimônia de encerramento com cinco Candangos (filme, atriz, ator coadjuvante, direção de arte e fotografia).

“Mãe, esse prêmio é para a senhora”, disse o cineasta. “Obrigado por tudo que a senhora fez para as nossas vidas. Viva Zózimo Bulbul, viva Cristina Amaral, viva o cinema negro brasileiro. Por mais protagonismo negro nas telas. E ele não”, completou o realizador. Temporada é o terceiro filme mineiro consecutivo a vencer o Festival de Brasília. É precedido por Arábia (2017), de Affonso Uchôa e João Dumans, e A Cidade Onde Envelheço (2016), de Marília Rocha.

Bixa Travesty (SP), de Claudia Priscilla e Kiko Goifman, foi o favorito do público durante o festival e recebeu do júri popular o prêmio de melhor longa. “Vai ser muito importante para distribuir o filme”, disse o cineasta. “É muito lindo ver que esse filme encontrou novos corpos dissidentes”, disse Priscilla.

Linn da Quebrada e Jup do Bairro, mulheres trans e personagens do documentário, voltaram ao palco para receber uma menção honrosa do júri oficial. “Estar aqui hoje para a gente é muito importante, de como a gente faz da nossa arte combustível. As aparências não enganam, e a polícia e o estado mostram isso para a gente todo dia”, disse Jup.

Escolhida como a melhor atriz por Temporada ao viver uma mulher do interior que se muda para Contagem, Grace Passô foi aplaudida de pé pelo público que acompanhou a entrega dos troféus. “É muito bom poder admirar um homem em 2018”, disse ela, dando recado ao diretor mineiro André Novais Oliveira.

“Esse troféu diz respeito a uma porção de militâncias que desentortam o olhar. Para que pessoas como eu possam ser vistas, olhadas e possam ensinar a sociedade. Sou uma das pessoas do elenco, existe todo um conjunto de pessoas que constrói a narrativa. Esse troféu diz respeito à equipe inteira”, completou.

Aldri Anunciação, melhor ator por Ilha (BA), também dedicou a honra à comunidade negra. “Não existe atuação, existe coatuação. Eu não estou só aqui. Atrás existe uma comunidade de negros e negras. Quero dividir esse prêmio com Mário Gusmão, ator negro de 90 anos e que nunca ganhou um prêmio”, homenageou.

Beatriz Seigner subiu ao palco com um largo sorriso para receber o Candango de melhor direção por Los Silencios (SP). “Ter um festival que reconhece a nossa voz, do jeito que a gente quer falar. Ter políticas públicas que nos permitem ter acesso aos meios de produção, que estão em risco por esse governo de desmonte. É maravilhoso pode estar aqui junto com vocês. Um amigo me falou: é o primeiro prêmio da Ursal, né?”, brincou.

Mostra Brasília: os vencedores
New Life S.A., de André Carvalheira, foi escolhido pelo júri oficial como o melhor longa do segmento de pratas da casa do festival. Entre Parentes, documentário de Tiago de Aragão, venceu o troféu de melhor curta.

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Na abertura da cerimônia, dezenas de cineastas subiram ao palco para anunciar a criação da Associação de Produtores Independentes (API). “Nasce com desejo de congregar e fortalecer as empresas independentes. Nosso objetivo é representar de forma organizada essa significativa parcela da produção brasileira. Já contamos com 100 empresas produtoras de 22 estados brasileiros”, leu o produtor Thiago Macedo Corrêia, do longa Temporada.

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