Dois longas menosprezados pela Academia de Artes e Ciências de Hollywood, “The Farewell”, de Lulu Wang, e “Joias Brutas”, dos irmãos Josh e Benny Safdie, foram os maiores vencedores do Spirit Awards na noite deste sábado (8).

“The Farewell”, que trata das diferenças entre as culturas americana e chinesa, conquistou a estatueta mais importante da noite, de melhor filme. Também foi laureado na categoria de atriz coadjuvante, para a chinesa Zhao Shuzhen, de 85 anos, numa edição dominada pela diversidade —nenhuma das atrizes que concorriam contra ela era branca.

Essa presença asiática no longa foi lembrada por Wang em seu discurso de agradecimento. “Ele mostra uma das aparências possíveis de uma família americana”, disse.

A diretora ainda aproveitou para pedir mais igualdade de gênero na indústria. “Não precisamos de encorajamento para fazer filmes, já há muitas mulheres trabalhando no ramo”, afirmou. “O que elas precisam é de emprego. Deem empregos às mulheres.”

Já “Joias Brutas”, uma produção da Netflix sobre um joalheiro que sonha fazer fortuna em apostas esportivas, tinha sido indicado em cinco categorias, liderando a disputa ao lado de “O Farol”, de Robert Eggers.

“O Farol” foi vencedor em duas categorias, melhor fotografia e melhor ator coadjuvante para Willem Dafoe. O filme, que mostra dois zeladores de um farol no século 19 cada vez mais delirantes, foi produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira, da RT Features.

A produtora ainda tinha outro título na disputa —”A Vida Invisível”, de Karim Aïnouz, que concorria a melhor filme internacional. Perdeu para o sul-coreano “Parasita”, que também é o favorito da categoria no Oscar.

Além dele, muitos outros vencedores da noite também estiveram em sincronia com as principais apostas dos especialistas para a cerimônia da Academia, marcada para este domingo (9) â€”Renée Zellweger foi eleita melhor atriz por “Judy”, “História de um Casamento” recebeu o troféu de roteiro, e â€œIndústria Americana”, produzido pelos Obama, ganhou o título de melhor documentário.

Momentos como aquele em Laura Dern, que não tinha sido indicado em nenhuma categoria, virou tema de uma performance de um coral, ou quando o os irmãos Safdie, ao receberem o prêmio de melhor direção, leram discursos completamente diferentes ao mesmo tempo, numa polifonia que ecoa a estética de seus filmes, tiraram risadas do público.

Não é só essa descontração que afasta o Spirit Awards da premiação da Academia de Artes e Ciências de Hollywood, aliás. Em vez de ser realizada num enorme teatro, como outros prêmios da temporada, ela acontece numa tenda perto da praia de Santa Mônica, em Los Angeles.

Melhor diretor Benny Safdie e Josh Safdie, por “Joias Brutas”  Melhor roteiro “História de um Casamento”  Melhor roteiro de estreia “See You Yesterday”

Melhor edição “Joias Brutas”  Melhor atriz Renée Zellweger, por “Judy”  Melhor ator Adam Sandler, por “Joias Brutas”  Melhor atriz coadjuvante Zhao Shuzhen, por “The Farewell”  Melhor ator coadjuvante Willem Dafoe, por “O Farol”   Melhor documentário “Indústria Americana”, de Steven Bognar e Julia Reichert

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