Petrobras: apesar de os dados de 2020 mostrarem um EBITDA e uma receita pior do que em 2019, eles são justificáveis pela pandemia (Photo by Martinez/ullstein bild/Getty Images)

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O ano de 2020 ainda não acabou para a Petrobras, que viveu dias turbulentos nesta semana. A companhia divulga nesta quarta-feira seu resultado financeiro do ano passado em meio ao furacão em que está metida desde que o presidente Jair Bolsonaro decidiu trocar seu comandante, o CEO Roberto Castello Branco.

O anúncio dos dados da companhia são uma notícia sem conexão com o noticiário político e de possíveis interferências na política de preços na companhia. Ainda assim, podem mexer com o mercado. Após despencarem na segunda-feira, as ações da empresa tiveram uma recuperação durante esta terça (23). 

Como a pandemia impactou fortemente o valor do petróleo durante boa parte do ano de 2020, a Petrobras deve ter tido uma receita menor em 2020 do que a obtida em 2019 e em 2018. Os dados dos três trimestres anteriores já mostravam isso.

Em abril do ano passado, no início da crise sanitária, os contratos futuros do petróleo chegaram a operar no negativo.

Segundo o relatório do banco BTG Bactual, a Petrobras deve fechar 2020 com receita de 52,1 bilhões de dólares. Se confirmada, será uma receita quase 30% abaixo da obtida em 2019: 76 bilhões de dólares.

As receitas baixas devem impactar em um EBITDA (lucro antes de juros, impostos, amortização, depreciação) menor.

Em 2019, ele foi de 34,1 bilhão de dólares. Em 2020, ele deve ser de 24,5 bilhão de dólares, segundo o BTG. Com isso, o lucro líquido da companhia virá negativo depois de anos no positivo. Em vez de lucro, a empresa deve fechar 2020 com prejuízo de 7,9 bilhões de dólares.

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No relatório do Banco BTG Pactual, as previsões para dívida bruta de longo prazo, que chegou ao estratosférico valor de 124 bilhões em 2015, devido às intervenções na política de preços durante o governo Dilma, ficará ao redor de 87 bilhões de dólares.

O endividamento bruto vinha caindo ao longo dos últimos anos, mas em 2020 deve apresentar estagnação no valor. A redução da dívida é um dos pilares mais elogiados na política do atual presidente da companhia, Roberto Castello Branco, que decidiu focar no pré-sal e vender ativos desde que assumiu a petroleira em 2018.

Quanto à dívida da empresa, outro indicador relevante que a petrolífera deve apresentar nesta quarta é a dívida líquida sobre o EBITDA.

Esse indicador existe para avaliar o índice de endividamento de uma empresa. Na opinião de analistas do mercado financeiro, esse é um termômetro mais realista que a dívida bruta em si.

O seu resultado aponta o número de anos que uma empresa levaria para pagar a sua dívida líquida num cenário no qual o EBITDA permaneça constante ao longo dos anos.

No geral, ele é bem aceito quando este indicador está em um nível de até 2 vezes, uma vez que, neste caso, a empresa levaria apenas dois anos para pagar a sua dívida líquida utilizando o caixa gerado pelas suas operações.

Números mais altos do que “dois” demonstram uma dificuldade financeira da empresa.

Em 2019, esse indicador da Petrobras era de 2,2 vezes e em 2018 de 2,4. Em 2020, principalmente devido à queda do EBITDA, ele deve ter fechado em 2,5.

Apesar de os dados de 2020 mostrarem um EBITDA e uma receita pior do que em 2019, eles são justificáveis pela pandemia. Não houve redução da produção e o barril de petróleo recuperou o valor, o que tende a levar a um bom ano de 2021.

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Segundo analistas ouvidos pela EXAME, os riscos que rondam a Petrobras são outros: o risco de intervenção que ronda a empresa com a troca da presidência. Na noite desta terça-feira, o Conselho de Administração deu o primeiro passo para aceitar a indicação do general Joaquim Silva e Luna e convocará uma assembleia de acionistas. Nela, a União não tem como perder o novo nome deve ser confirmado.

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