(Pollyana Ventura/Getty Images)

SÃO PAULO – As taxas oferecidas pelos títulos públicos negociados no Tesouro Direto apresentavam forte alta na tarde desta terça-feira (2), com os investidores monitorando o cenário político doméstico.

No Tesouro Prefixado, os prêmios chegavam a até 8,81% ao ano no caso do papel com juros semestrais e vencimento em 2031. Ontem, o mesmo título pagava uma taxa de 8,55% ao ano.

Da mesma forma, o juro pago pelo Tesouro Prefixado 2024 avançava de 7,39% para 7,62% ao ano.

Entre os títulos atrelados à inflação, o papel com vencimento em 2026 pagava uma taxa anual de 3,41% nesta tarde, ante 3,26% anteriormente, enquanto o prêmio pago pelo Tesouro IPCA+2035 subia de 3,90% para 4,03% ao ano.

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Já os papéis indexados à Selic para 2024 e 2027 ofereciam remuneração acima da taxa básica de juros de 0,17% e 0,33%, respectivamente, em linha com as da sessão passada.

No câmbio, o dólar comercial apresentava alta de 1,5% ante o real, negociado a R$ 5,68 por volta das 15h40.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto nesta terça-feira (2):

Fonte: Tesouro Direto

Impostos sobre bancos e Covid-19

Entre os destaques do dia, investidores repercutiram a notícia de que o governo irá aumentar a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos bancos para compensar a zeragem de alíquotas sobre o óleo diesel, por dois meses, e sobre o gás de cozinha, sem prazo definido.

Segundo comunicado do governo, parte da compensação pela redução dos tributos, estimada em R$ 3,67 bilhões para este ano, virá do aumento da CSLL de instituições financeiras como os bancos.

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A compensação, que envolve ainda a alteração das regras de IPI para a compra de veículos por pessoas com deficiência e o encerramento do Regime Especial da Indústria Química (REIQ), se dará por meio de medida provisória e é justificada pela Secretaria-Geral da Presidência em função da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Hoje, a alíquota é de 20%. A nova alíquota para os bancos sobe para 25% até o fim do ano. Neste caso, a MP terá que ser confirmada pelo Legislativo em até 120 dias.

Além disso, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou na segunda-feira (1), em entrevista à Record TV, que o novo valor do auxílio emergencial será de R$ 250 mensais, e será pago em quatro meses. Ele afirmou que a leitura da PEC Emergencial, que inclui o pagamento, deverá ser feita nesta terça, e a votação no Senado ocorrerá na quarta.

O governo federal também estuda reeditar a medida provisória que autorizou empresas a reduzirem temporariamente a jornada de trabalho e os salários no início da pandemia, com o argumento de que a mudança poderia ajudar a impedir demissões.

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No noticiário de coronavírus, o Brasil vive o pior momento da pandemia. No primeiro bimestre de 2021, o país registrou alta de 71% no número de mortes em comparação com o bimestre imediatamente anterior.

Na segunda, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vetou o trecho da medida provisória introduzido pelo Congresso que dava, em caso de omissão do Ministério da Saúde, autorização para estados e municípios adotarem medidas próprias a fim de imunizar suas populações.

A medida provisória tem, como foco principal, a adesão do governo federal ao Covax Facility, programa integrado por mais de 150 países e coordenado pela Organização Mundial de Saúde para estimular o desenvolvimento de vacinas contra a Covid e garantir a sua compra. Anteriormente, o governo já havia liberado R$ 2,5 bilhões para a adesão do Brasil ao consórcio.

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Quadro internacional

Na cena externa, os mercados repercutiram a aprovação na Câmara de Representantes dos Estados Unidos do pacote de estímulos de US$ 1,9 trilhão proposto pelo presidente Joe Biden para mitigar os impactos econômicos do coronavírus.

As atenções também recaíram sobre a queda dos rendimentos das treasuries, os títulos do Tesouro dos EUA, com vencimento em dez anos, que tinham chegado a 1,6% ao ano na semana passada, mas voltaram a 1,44%. As treasuries são consideradas os ativos mais seguros do mundo, de modo que a elevação nos juros pagos por elas prejudica a atratividade de investimentos mais arriscados, como ações.

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