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Frankie — O desperdício de um ícone francês

A atriz Isabelle Huppert, indicada ao Oscar por Elle (2016), consagrada no circuito internacional, apesar de não pertencer a Hollywood, aparece, pela primeira vez, em trabalho surpreendentemente morno. Tudo bem, sua personagem não ajuda em nada, mas, ainda sim, Huppert não pareceu estar muito preocupada em melhorá-la. É um imenso desperdício de uma atriz genial. Seus trabalhos são sempre cheios de emoção, ainda que muito bem equilibradas de acordo com a intensidade dos momentos. Entre as obras mais conhecidas e bem avaliadas, estão “Elle” (2016) e “A Professora de Piano” (2001). Eu descobri Huppert através de um filme do diretor francês Christophe Honoré (Que, aliás, é um dos diretores mais conhecidos na França mas, na minha opinião, deveria ser no resto do mundo também), “Ma Mére” (2014), que obteve baixas avaliações da crítica por ser fortemente controverso e (alguns dizem) apelativo. Já aqui, me encantei pela entrega e talento da atriz. Mas vamos ao filme.

Frankie (Huppert) descobre estar muito doente devido a um câncer, tendo certeza da morte muito próxima. Ela prepara uma viagem à Sintra, Portugal, onde pretende passar os seus últimos dias, ao lado dos familiares e amigos. Com planos para a vida deles, Frankie lida com seus próprios medos e com o pesar de seus entes queridos.

Apesar de adotar um roteiro de encontros casuais e histórias dos personagens que se cruzam aleatoriamente, terminando com um desfecho que justifique esse desencadear dos fatos (No estilo Woody Allen), tanto os motivos, desenvolvimentos e o final são incompletos e pouco satisfatórios, o que fico triste em dizer, já que foi escrito por um brasileiro. A forma, os lugares, as circunstâncias em que estes personagens se encontram, desencontram e se conhecem são recorrentemente convenientes demais, o que não seria necessariamente um problema, mas isso é feito de uma forma pouco criativa (Oque é, inclusive, um dos aspectos mais bem trabalhados nos roteiros do Woody Allen).

Até o artifício de alternar os diálogos entre os idiomas português (Portugal), francês e inglês, me soou forçado, apesar de tentar usar de um tom mais sofisticado pra ilustrar o encontro de diferentes personagens, o desenvolvimento desses e a pobreza dos diálogos apenas tornaram os momentos mais monótonos e fora do Timing.

Inclusive, os Diálogos também se destacam pela falta de profundidade e pela artificialidade predominantes. Apesar de os fatos e os motivos da trama serem intensos e carregados, a construção dialógica não seguia a seriedade e nem mesmo a carga emocional que, normalmente, estaria presente em momentos como aqueles. Os atores (com exceção de pouquíssimos) foram ineficientes até em adotar as forçadas e rasas emoções de seus personagens. No geral, a impressão é que, tanto roteirista quanto diretor e atores não entenderam bem como funcionaria um ser humano em tais circunstâncias.

O atrativo do longa foi a fotografia, influenciada pela belíssima cidade de Sintra, em Portugal. Mas nem isso, na minha experiência, foi suficiente para sentir vontade de assisti-lo até o final (Mas eu assisti, claro rs).

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