A alfaiataria sofisticada de Giorgio Armani, que completa 85 anos nesta quinta-feira (11/07/2019), fez do estilista um dos mais influentes do mundo. Depois de co-fundar sua própria grife, em 1975, o italiano construiu um verdadeiro império que vai além da moda e dos cosméticos. Hoje, o empresário e designer é um dos homens mais ricos do universo fashion.

Armani é o único dono da Giorgio Armani SpA (ou só Armani), que reúne linhas como Giorgio Armani, um prêt-à-porter mais clássico; Armani Privé, de alta-costura; Emporio Armani, o prêt-à-porter jovem;  e A | X Armani Exchange, mais básica e casual.

Como se não bastasse, o italiano é dono de hotéis, restaurantes, clubes noturnos e uma linha de mobiliário e design de interiores. Chocolate, flores e um museu próprio – o Armani Silos – também se juntam ao vasto catálogo de negócios.

Para a moda, sua contribuição foi o minimalismo e um acabamento cheio de elegância. No vestuário feminino, deu um toque girlboss e chamou atenção pelos terninhos com silhuetas masculinas. Apesar disso, a marca não deixa a desejar quando se trata de vestidos para a noite.

O estilista nasceu em 1934, na comuna de Placência, na Itália. Filho de Ugo Armani e Maria Raimondi, é o irmão do meio de Sergio e Rosanna, e cresceu em uma pequena cidade próxima a Milão. Ele chegou a cursar dois anos de medicina, na década de 1950, mas abandonou a faculdade para cumprir o serviço militar.

Em Milão, foi vitrinista e assistente de compras na loja de departamentos La Rinascente, seu primeiro contato com a moda. Já nos anos 1960, começou a trabalhar como designer da linha masculina da grife Nino Cerutti, na qual ficou por seis anos. Posteriormente, fez trabalhos como freelancer para outras marcas.

Em 1975, fundou a Armani junto ao amigo Sergio Galeotti, em Milão. Galeotti ficou responsável pela parte administrativa. Armani cuidou do setor criativo. À época, inovou por abordar o imaginário masculino com uma estética minimalista, enquanto agregou um toque andrógino e forte para a moda feminina.

Nos Estados Unidos, sua primeira subsidiária foi aberta em 1979. O grande sucesso no país veio após o filme Gigolô Americano (1980), estrelado por Richard Gere, para o qual Armani produziu belos ternos.

O italiano também foi responsável por alguns looks da série de televisão Miami Vice, transmitida entre 1984 e 1989. Foi o suficiente para estabelecer a marca como símbolo de estilo.

Com o hype de Hollywood, a Armani se tornou objeto de desejo de homens e ficou conhecida pelo menswear com tecidos mais suaves. Para o designer, a elegância está na simplicidade, característica que o diferenciou de outros colegas de profissão italianos, como Roberto Cavalli e Gianni Versace.

Outro aspecto priorizado por ele foi o conforto das modelagens mais soltas. O paletó com menos enchimento, pensado para se encaixar de forma mais natural ao corpo, é uma de suas principais assinaturas.

O relacionamento com as celebridades ganhou força nas décadas de 1980 e 1990, quando a label vestiu nomes como John Travolta, Jodie Foster, Julia Roberts e Michelle Pfeiffer.

Segundo o jornal The Daily Telegraph, a primeira celebridade a levar a grife para o tapete vermelho foi Diane Keaton, no Oscar, em 1978. Na ocasião, a artista conquistou a estatueta de melhor atriz por sua atuação em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977). Ela usou um blazer e uma longa saia, em consonância com o novo olhar feminino proposto pelo estilista.

Uma de suas maiores musas é a atriz australiana Cate Blanchett, embaixadora do perfume Si desde o lançamento, em 2013. No ano passado, Cate se tornou a primeira embaixadora global da Giorgio Armani Beauty, representando também as linhas de maquiagem e skincare. À época, Armani a descreveu como “luminosa e sofisticada”.

A relação profissional não fica por aí: ela também costuma riscar os tapetes vermelhos de grandes eventos usando belos vestidos da label. Em 2013, a artista disse à Elle canadense que comprou um terno Armani com seu primeiro pagamento como atriz.

As campanhas da Emporio Armani, linha introduzida na década de 1980, já foram estreladas por personalidades como Rihanna, Megan Fox e o casal David e Victoria Beckham.

Armani desenhou, ainda, figurinos para duas turnês da cantora Lady Gaga, no início dos anos 2010. Ele também assinou o look dos noivos e de toda a festa no casamento de Tom Cruise e Katie Holmes, em 2006 – o ex-casal, bem se sabe, se divorciou em 2012.

A linha de alta-costura Armani Privé foi lançada em 2005, com um desfile em Paris. Dois anos depois, a marca foi a primeira a transmitir um desfile de couture pela internet.

De acordo com a Bloomberg, o patrimônio do estilista gira em torno de US$ 6,75 bilhões, enquanto a revista Forbes estima um montante de US$ 9,6 bilhões (dados consultados no dia 10/07/2019). Se convertido para o real, o último valor ultrapassa a casa dos R$ 36 bilhões.

A Armani é uma das poucas grandes marcas que não foram vendidas aos conglomerados de moda, apesar disso ser uma tendência do setor. Após um desfile da Semana de Moda de Milão, temporada primavera/verão 2016, o estilista disse para a imprensa que “haverá independência” enquanto ele estiver vivo. Mesmo sem nunca ter definido um sucessor,  Armani determinou que seus sobrinhos serão herdeiros do bilionário patrimônio, uma vez que ele não teve filhos. Pensando no futuro do grupo, ele criou uma fundação para cuidar de sua empresa, em 2016.

Sua história deixa uma mensagem inspiradora: quando a marca foi criada, o empresário e designer tinha 41 anos. Isso mostra que o sucesso não depende da idade, mas de ideias criativas e muita dedicação.