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Imbróglio da IRB (IRBR3) poderia ser manipulação do mercado

As ações da IRB Brasil (IRBR3) abriram em forte baixa na Bolsa de Valores de São Paulo (B3) nesta quarta-feira (4). Os papéis ordinários da empresa chegaram a apresentar uma desvalorização de 25,61%, cotados a R$ 20,83. Segundo fontes com conhecimento no direito do mercado de capitais ouvidas pelo SUNO Notícias, esse imbróglio poderia se configurar como manipulação do mercado.

A queda das ações da IRB é ligada a desmentida de compras de participação na resseguradora pela Berkshire Hathaway, do megainvestidor Warren Buffett. A informação tinha sido divulgada na semana passada pelo jornal “O Estado de S.Paulo”.

“Surgiram relatos recentes na imprensa brasileira que a Berkshire Hathaway Inc. teria se tornado acionista da IRB Brasil. Esses relatos são incorretos. A Berkshire Hathaway não é atualmente um acionista da IRB, nunca foi acionista da IRB e não tem intenção de se tornar acionista da IRB”, salientou a empresa de Buffett em nota divulgada na noite da última terça-feira (3). O documento é assinado pelo vice-presidente financeiro da Berkshire, Marc D. Hamburg.

“Tendo em vista os grandes indícios de articulação política realizada pela empresa, com teleconferências e outros comunicados, com certeza temos indícios para que se inicie um procedimento de fiscalização por parte dos órgãos reguladores”, disse ao SUNO Notícias o advogado Felipe Barreto Veiga, advogado especializado que atua para diverso players no mercado financeiro, e sócio da BVA Advogados.

O caso começou no último dia 26 de fevereiro, quando o jornal “O Estado de S.Paulo” publicou uma matéria segundo a qual entre os dias 6 e 18 de fevereiro a Berkshire Hathaway teria triplicado sua posição na IRB.

A notícia levou a cotação das ações a subir na B3 de 6,65% no dia 27 de fevereiro. Uma tendência contrária ao andamento do mercado, que há dias amargava forte perdas por causa dos efeitos econômicos da epidemia de coronavírus.

Segundo Veiga, “tudo isso pode ter levado a uma alteração da cotação dos papeis da IRB no mercado”. “Por isso é necessária uma investigação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Ministério Público para apurar o caso”, explicou o advogado,” Desde os movimentos especulativos dos anos 1990, que levaram à falência da Bolsa do Rio de Janeiro, a manipulação do mercado é bastante combatida no Brasil”.

Para outro advogado especializado na matéria e entrevistado pelo SUNO Notícias, “na melhor das hipóteses a CVM ou mesmo a B3 deveriam pedir explicações para esses executivos da IRB que soltaram as informações não corretas”.

O presidente do IRB, José Carlos Cardoso, e o diretor financeiro, Fernando Passos, ressaltaram como a Berkshire era já cliente e retrocessionária da resseguradora brasileira. A empresa estadunidense teria aumentado sua posição acionária recentemente.

Além disso, os dois salientaram como a advogada Márcia Cicarelli, representante da Berkshire Hathaway no Brasil, tinha sido indicada no Conselho Fiscal da resseguradora brasileira. Todas essas informações tinham sido divulgadas em exclusividade pelo “O Estado de S.Paulo”.

Cicarelli atua há mais de 25 anos na área de seguros e resseguros. Ela é sócia do Demarest Advogados, sendo responsável por casos de extrema complexidade. Ela é procuradora do ressegurador eventual Berkshire Hathaway International Insurance Limited no País.

Para Veiga, “o problema é identificar quem iniciou essa história”. Entretanto, o advogado salientou que “a IRB tem uma minima noção de quem detêm os papeis dela. A advogada nomeada para o conselho fiscal aparentemente tinha um relacionamento com a Berkshire Hathaway. Por isso é necessário analisar todos os elementos dessa história como um todo para verificar que é o culpado”.

“Ao que parece, existe algo de errado ou indícios de algo errado nisso tudo, mas ainda não sabemos o que”, explicou Veiga, “se isso tudo for confirmado seria muito grave, mas consideradas as dimensões eles mexeram com gente importante”.

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