Resultado de mais de dois anos de pesquisa em jornais, bibliotecas e arquivos públicos, será lançado amanhã, no Teatro Vasques, o livro ‘Mogi Também É Música’, do escritor Roberto Bordin, com a cronologia completa da indústria fonográfica local. O evento, marcado para as 19 horas, terá, além do lançamento oficial da obra, apresentações de Antônio Freire Mármora, o maestro Niquinho, da cantora Henriette Fraissat, do grupo As Seresteiras e do Teatro Experimental Mogiano (TEM).

Em 408 páginas, o autor mostra a história da música local, que muito tem a ver com o cenário nacional, já que, como consta na publicação, a primeira canção do Brasil foi escrita em solo mogiano. A partir deste tempo (século XVIII), as memórias vêm seguindo um ritmo cronológico, passando pelos mais variados estilos até chegar aos dias atuais, quando o rock, o hip hop e outras manifestações modernas ganharam corpo.

Tamanha profundidade permite revelar detalhes curiosos, a exemplo do polêmico caso do hino da cidade, que inicia o texto. Passada esta introdução, Roberto explica que grande parte da obra funciona no esquema “quem foi quem”, ou seja, explicações acerca de personagens que marcaram a fonografia da cidade: maestros, bandas, cantores e orquestras.

A pesquisa que levantou o conteúdo começou em 2016, quando preparava os primeiros materiais do livro ‘Maestro Niquinho com a música nas mãos… e no coração’, lançado em 2017. “Tudo surgiu quando percebi que não havia registros oficiais da trajetória do Niquinho. Só que a medida que pesquisava, fui descobrindo outros personagens que mereciam ter suas histórias contadas”, explica.

Dessa forma, pouco ao pouco o escritor – que é natural de São Paulo – foi se encantando pelo passado da música de Mogi. Um dos períodos que mais o fascinou foi o século XIX, quando havia um número considerável de professores de piano por aqui, situação que, segundo ele, ajudou no fomento da indústria do instrumento em todo o país.

Ainda assim, é necessário dizer que a relação do escritor com a música é mais antiga. Em uma passagem por Mogi na década de 1970 ele escreveu uma peça de teatro. Por uma série de motivos a montagem não saiu do papel, mas duas músicas foram compostas pela equipe do TEM especialmente para a ocasião. As canções agora poderão finalmente ser ouvidas nas vozes dos próprios autores, ao vivo, no Vasques.

Outro aspecto que motivou o paulistano a escrever ‘Mogi Também é Música’ é que ele, durante os 13 anos em que morou em Gramado, no Rio Grande do Sul, teve, além de uma editora, um programa de rádio justamente sobre pesquisas musicais. “Sou um pesquisador que passou a vida escrevendo para os outros, em releases, manuais de instrução e outros formatos. Depois que me aposentei resolvi escrever para mim”.

Aos 73 anos, Roberto Bordin faz essa afirmativa para explicar que não vai parar por aí, afinal os carnavais de Mogi ficaram de fora do título e ganharão, em 2020, um livro próprio, que já tem 80 páginas escritas. Aliás, ele ama escrever, e isso reflete no nome da editora que comanda por aqui, de maneira independente: ‘Eu Amo Livros’. Para além deste formato, o amor se estende a jornais também, pois passou boa parte das tardes dos últimos anos enfurnado em ambientes como o hall de entrada de O Diário, observando, anotando e fotografando registros históricos em páginas amareladas.

O lançamento de ‘Mogi Também É Música’ tem entrada gratuita e acontece no Teatro Vasques, ao número 515 da Rua Dr. Corrêa. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone 4798-1747.