RIO – Um dos mais respeitados corais dedicados à música barroca, o alemão Gächinger
Kantorei chega nesta terça-feira ao Rio, ao lado do grupo Internationale
Bachakademie Stuttgart, para o quarto recital da edição 2018 da Série O
Globo/Dell’Arte Concertos Internacionais, que começou em março e se estende até
novembro. No Teatro Municipal, a partir das 20h, o público poderá se deliciar
com um repertório totalmente voltado para o gênio de Johann Sebastian Bach
(1685-1750), um dos pais da música ocidental, mestre dos contraponto e
organizador de harmonias, texturas sonoras e ritmos, cujo impacto artístico se
faz sentir até hoje.

— Em suas criações, Bach lida com
todas as questões existenciais da vida humana, do nascimento à morte. A sua
música é espiritual, e nisso, mesmo nós, humanos que vivemos na era da internet,
nos sentimos semelhantes às pessoas daqueles dias. Esta é uma das razões pelas
quais gostamos da música de Bach hoje — analisa o maestro Hans-Christoph
Rademann, que é, desde junho de 2013, diretor e regente da Akademie da
Internationale Bachakademie Stuttgart.

Um dos maiores especialistas em música antiga em atividade na Europa, saudado
em 2015 por sua gravação, com os Gächinger Kantorei, da nova leitura da Missa em
Si menor de Bach, Rademann conhece bem os desafios de se interpretar de forma
justa, nos dias de hoje, as obras do compositor alemão, evocando todo o aspecto
espiritual que a sua música inspira.

—Hoje já sabemos muito sobre como
se dava a criação de Bach: os tempos, o humor, o manuseio dos instrumentos…
Tudo isso eu tenho que levar em conta, além de, é claro, entender a intenção do
compositor. Mas nós vivemos num tempo diferente daquele do de Bach, e eu tenho
que alcançar meus ouvintes. Nisso, você tem muita liberdade, apesar de ter que
manter toda uma fidelidade — conta o maestro.

— Você só pode ser um integrante do Gäechinger Cantorei se você for um cantor
ou instrumentista profissional. Estamos sempre à procura dos melhores músicos da
Europa. Mas também tem que ser alguém muito humano, que sinta a música.

— Teremos uma das mais belas
cantatas de Bach no Brasil — avisa o maestro, — O trabalho descreve um humor
triste e melancólico. Através do encorajamento da voz de Jesus Cristo, isso é
transformado em um longo processo de alegria, confiança e júbilo. Já o
Magnificat é um trabalho relativamente curto e descreve o louvor de Maria. Aqui,
também, Bach adicionou uma imagem e uma ótima música ao texto. Pode-se conhecer
muito bem o compositor Bach aqui