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Mais de 500 mil brasilienses estão acima do peso

Os brasileiros estão, cada vez mais, alcançando níveis preocupantes ao subir na balança. A taxa de obesidade no país passou de 11,8% para 19,8%, entre 2006 e 2018. No Distrito Federal, estima-se que cerca de 570 mil pessoas estejam obesas.

“Para tentar diminuir esse problema, a Secretaria de Saúde vem se esforçando em estabelecer a prevenção e o cuidado já na atenção primária e organizando os serviços especializados na atenção secundária para o cuidado integral”, frisa a coordenadora do Grupo Condutor Central da Linha de Cuidado do Sobrepeso e da Obesidade da Secretaria de Saúde, Mariana Martins.

A atenção ao sobrepeso, na rede pública de saúde do DF, ocorre em três níveis. Nas unidades básicas de saúde, a porta de entrada dos pacientes, ocorre o acolhimento e classificação do tipo de excesso de peso para definir como tratar o paciente. “Ele será acompanhado pela equipe de saúde da família por um ano. Neste período, se não houver redução de 5% a 10% do peso, ele é encaminhado para a atenção secundária”, explica Mariana Martins.

O Centro Especializado em Diabetes, Obesidade e Hipertensão (Cedoh) é um dos locais que recebe esses pacientes. Atualmente, 269 adultos estão sendo acompanhados. “Eles ficam com a gente por dois anos, com atendimentos individuais e em grupo, com equipe multiprofissional. Depois desse tempo, são encaminhados de volta à atenção primária e, quando necessário, para a cirurgia bariátrica”, explica a gerente do centro, Alexandra Rubim.

Há um ano, a cuidadora de idosos Rosângela de Sousa, 41, começou a ser acompanhada pelo centro. Pesava 86 kg. Ela conta que já tinha tentado fazer dietas sem orientação profissional e, inclusive, tomar remédios emagrecedores. “Em um desses, acabei sofrendo um infarto. Estava pré-diabética e com pressão alta”, conta.

As orientações recebidas no Cedoh, somadas à força de vontade, fizeram Rosângela chegar a 78kg, alcançando a meta estabelecida do serviço, que é de perder entre 5% e 10% do peso inicial a cada ano dentro do projeto.

Entre 20 e 30 novos pacientes são recebidos, mensalmente, no Cedoh. Eles são divididos em grupos de 10 a 15 pessoas. O trabalho envolve nutrição, psicologia e endocrinologia para explicar sobre as causas e os riscos da obesidade, além de orientar a melhor forma de emagrecer e ter hábitos saudáveis tanto na alimentação quanto em atividade física.

Há um mês em acompanhamento, a assistente administrativa Lúcia Braga, 34, já deu os primeiros passos para reduzir os atuais 128kg. “Um quilo e meio já se foi”, comemora ela, contando que ainda come de tudo, porém em quantidades menores que antes. “Meu problema é a massa. Mas, agora estou começando a mudar os hábitos em casa e acabo influenciando os meus filhos também”, frisa.

Pesquisas apontam que crianças acima do peso têm 75% mais chance de serem adolescentes obesos, que por sua vez, têm 89% de possibilidade de serem adultos obesos.

Dados da vigilância alimentar e nutricional, provenientes dos usuários que tiveram o estado nutricional monitorado em 2019, no contexto da atenção primária, demonstram que, das crianças menores de dez anos, 47,36% apresentaram excesso de peso, sendo que 14,09% foram diagnosticadas com diagnóstico de obesidade.

“Desde março de 2013, a Secretaria de Saúde empenha esforços na implantação da Estratégia Amamenta Alimenta Brasil, que visa promover, proteger e apoiar o aleitamento materno e a alimentação complementar saudável em menores de dois anos, por meio do aprimoramento das competências e habilidades dos profissionais de saúde da atenção primária, com vistas a reduzir a mortalidade infantil e as doenças crônicas associadas ao sobrepeso e obesidade, tais como hipertensão e diabetes”, explica Mariana.

Outra importante iniciativa para o combate ao excesso de peso é o projeto Alimenta aí, Galerinha, uma ação intersetorial com a Secretaria de Educação, que objetiva a formação de servidores das duas secretarias sobre a necessidade e importância de prevenção ao sobrepeso e obesidade infantil, no ambiente escolar.

Em 2019, 40 servidores de 13 unidades escolares do Programa Saúde na Escola com educandos com idade entre seis e dez anos, e de 13 Unidades Básicas de Saúde trabalharam a temática da promoção da alimentação saudável e o lazer ativo como ferramentas para evitar o desvio nutricional.

O Cedoh também iniciou um trabalho com crianças até 15 anos de idade, com abordagem multidisciplinar individual e em grupo, com dinâmicas lúdicas e envolvendo a família como um todo. Atualmente, 20 crianças estão sendo acompanhadas, com encontros quinzenais, sempre às quintas-feiras.

Neste ano, o Dia Mundial da Obesidade foi alterado para 4 de março e focará na mudança global sobre histórias que envolvem a obesidade. Entre os pontos sugeridos estão a tolerância zero para o estigma do peso e a elaboração de relatórios sobre os desafios econômicos da obesidade, tanto em adultos quanto em crianças e adolescentes.

Para lembrar a data, o Cedoh promoveu um dia de sensibilização para a obesidade como doença a ser abordada positivamente, na manhã desta quarta-feira (4). Participaram gestores envolvidos na implementação e organização desse cuidado nas regiões de saúde para uma abordagem da obesidade do ponto de vista do que há de mais moderno na abordagem da doença e para ouvirem os relatos de pacientes que tiveram alta com resultados positivos.

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