Marcelo D2 deu uma entrevista para a revista Marie Claire 
e falou sobre sua vida profissional e pessoal. Com seu álbum mais recente, “Amor é para os fortes”, o rapper também falou sobre como surgiu a ideia para o trabalho.

Reconhecido por lutar pelos direitos da sociedade e ter tido um papel forte nas eleições de 2018, Marcelo D2 revelou para a Marie Claire que mesmo que tenha sido criado por uma mulher e tendo duas filhas, ele policia as atitudes machistas no seu dia a dia. “É um exercício diário não ser um machista, eu peço desculpa internamente e o que eu posso fazer daqui pra frente é me policiar e tentar mudar. Dá vergonha, tá ligado?”, conta.

Quando questionado se ele ouve suas filhas quando o assunto é machista, ele confessa que as duas (Lourdes e Maria Joana) estão sempre puxando sua orelha. “Minhas filhas me dão esporro e eu peço perdão. Minha filha é super feminista, a de 19 anos [Lourdes], vai a passeatas, toca tambor, grita no megafone, acho bonito pra caramba”, explica.

“Outro dia falei pra ela: ‘Eu queria ser mulher nesse momento, pra brigar’. Porque eu gosto de brigar, né? Mas não me pertence, o máximo que posso fazer é tentar não ser um machista hétero babaca”, completa.

Aos 51 anos, Marcelo sempre conversa com seus filhos sobre privilégios: “Nessas últimas eleições vi absurdos dentro da minha própria família, gente cuspindo na história da família toda sabe? Eu espero que meus filhos tenham plena consciência dos privilégios pra não cometerem o mesmo erro”.

Quando o assunto é sua saúde mental, o rapper explica que sofre de ansiedade e o que ele faz para controlar esses problemas. “Sou muito ansioso, vivo numa batalha intensa dentro de mim. Minha vida quase toda foi assim, sabe? Escrevo desde cedo, mas nunca levei muita fé nisso, minha ansiedade me deixo aceso demais. O meu jeito e a vida que eu tenho, os dois não ajudam muito, mas eu tento ficar um tempo sem beber, um tempo longe das drogas”, conta.

“Eu faço terapia há seis anos. O meu terapeuta veio do mesmo lugar que eu, era DJ também, então acho que encontrei um cara bom. A terapia me ajudou muito com a ansiedade, com o autoconhecimento. Eu sabia pouco dos meus medos, dos meus ódios e de toda essa ansiedade. Talvez eu esteja tão ansioso porque não fiz terapia essa semana ainda”, explica.

Já se a maconha ajuda a diminuir sua ansiedade, ele simplesmente “não lembra”. Quando questionado sobre sua primeira droga, ele revela que tudo começou com o álcool: “Minha primeira droga, como todo mundo, foi o álcool. Não lembro quando comecei a fumar maconha, só lembro que eu jogava bola e tinha uma galera que ficava no fundão do campo. Aí, um dia, quando me vi, estava fumando com eles”.

O nome de seu novo álbum surgiu durante uma tragédia que aconteceu com sua amiga, ele revela que durante o velório dessa amiga, Cissa Guimarães leu um texto do João Velho e que tinha essa frase. “Na hora que eu ouvi essa frase do João, eu estava bem cansado, não queria fazer mais música, achava que já tinha falado tudo o que eu tinha pra falar”, conta.

“Quando ouvi essa frase, cara, ‘ Amar é para os fortes ’, a sensação veio dentro de mim, sabe? Entendi o disco inteiro ali, vi o quanto era subversivo falar de amor neste momento. Essa frase tem um sentido amplo de amor ao próximo, a si mesmo, de se cuidar, de cuidar do outro, de ser generoso, de compartilhar”, explica Marcelo D2 
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