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 Guaia vem Guaianazes, sub-prefeitura na periferia de São Paulo. De Guaia vem Marcelo Jeneci, cantor e compositor cuja família vem do Agreste pernambucano, região que faz parte da sua trajetória e de suas influências musicais. Guaia é o título do terceiro álbum solo de Jeneci, lançado nessa segunda-feira, 21 de julho. “É o meu disco mais colorido, mais temperado. Quando a vida explode em dor, explode também em cores”, comenta Marcelo Jeneci, em entrevista por telefone, do Rio, onde está morando. Colorido que começa na capa, uma foto do artista por Marina Benzaquem, com arte de arte de Mana Bernardes e Lucia Koranyi.

Guaia é um disco que ele encara sem banda, toca, entre outros instrumentos, piano, baixo-synth, prophet 12, sintetizador modular, e assina a co-produção com Pedro Bernardes e Luz Ferreira:

 “Pedro é talvez hoje o artista que mais me impressiona. A força sonora deste disco vem dele, da regência dele. Ele produziu o disco, a presença dele foi que trouxe o dele o coração pulsante, que trabalha com música eletrônica, música de cinema. A gente juntos chegou nestes momentos, sempre buscando o que a letra está dizendo. Uma busca de levar a pintura de uma canção às ultimas consequências. todo arranjo não tem nada em vão. Todos os detalhes estão conectados à artéria principal, à espinha dorsal, do recado da canção”.

A produção se estendeu a Los Angeles, onde a mixagem foi feita por Mario Caldato JR (que trabalhou com Beastie Boys, Beck, Seu Jorge, e Marcelo D2), sonho de consumo de boa parte de artistas brasileiros, desde que Chico Science manifestou vontade de trabalhar com ele nos anos 90. No entanto, Caldato só produziu o Nação Zumbi, dez anos depois da morte de Science, no álbum em Fome de Tudo, de 2007:

 “Mario é um gigante no mundo da música, e um amigo sensível. Tinha este sonho de trabalhar com ele. Até já participei de gravações de outras pessoas, produzidas por Mario. A música chegou lá de um jeito e ganhou uma camada ou outra, a visão dele. Fiquei vendo Mario trabalhar gravando coisas que ainda faltavam. Ele trouxe uma produção adicional para o disco. Foi cuidando que cada timbre ficasse no seu território de força, não se espalhasse para o lado. Deixou tudo mais potente, com mais pressão, mais nitidez”, elogia.

Além de tocar a maioria dos instrumentos, Jeneci assina quase todas as faixas, só ou com parceiros. A exceção é a canção que abre o disco, cantada pela índia Ikashawhu, da tribo Yawanawa (ou Iauanauás), do Acre, que se funde com Emergencial (letra de Paulo Neves, Mana Bernardes e José Miguel Wisnik):

 “Conheci o pai dela o cacique Bira, num ritual que teve aqui no Rio, eu fui lá com a sanfona, toquei, participei. Quando me dei conta que a a música emergencial tem ali a voz do planeta Terra na primeira pessoa, achei que precisava de um espaço para o canto indígena, que é também a voz do planeta terra, destes guardiães, ancestrais que sustentam o mundo. Percebi também que não deveria ser um canto masculino. Poderia recorrer a tribo do Pancararus, em Pernambuco, onde tenho vários amigos. No entanto, a expressão do canto de cada tribo atua numa função, numa força, e a tribo Yawanawa, do que conheço deles, é a que tem este canto sinuoso, misterioso, suave. Ikashawhu estava de passagem pelo Rio, a convidei, e ela decidiu cantar este canto sobre uma arara vermelha, foi livremente o que o coração dela decidiu cantar. Foi um presente para todos nós, porque parece que é uma necessidade e da própria Terra querer dizer isso”.

Guaia é um álbum em que Pernambuco está presente, em Oxente (parceria com Chico César), e o frevo Redenção, uma canção lenta que engenhosamente se encaixa com a bateria de Adelson Silva, da Spokfrevo. De Caruaru, onde mora sua família, Jeneci foi buscar da Banda de Pífano, João do Piff, Marcos do Piff e Zé Gago, gravados na casa do pai dele, Manoel Jeneci. O percussionista Lucas dos Prazeres está em Oxente.

 O álbum ainda conta com Roberto Pollo (que ele conheceu em L.A, através de Mario Caldato Jr.), a cantora niteroiense  Maya, e as cordas da Filarmônica de São Petersburgo:

 “Na produção desta música, em que eu e Pedro decidimos que deveria ter um coração atravessando a música toda. A gente percebeu que no ultimo grito deveria emergir as cordas passionais para d ar mais emoção ao contexto. Conheci João Paulo Mendonça, que faz trilhas, ele tinha esta porta com a orquestra. As cordas Foram gravadas lá, numa igreja”, explica Marcelo Jeneci. 

O disco percorre vários caminhos, da música nordestina ao reggae, rock, conciliando sons agrestes com os ruídos da metrópoles, e fecha com Rito, que dispensa letra. Ele próprio um bom letrista, Jeneci tem parcerias com alguns dos melhores do ramo na MPB: Arnaldo Antunes, Carlos Rennó, Chico César, Luiz Tatit, entre outros:

 “Acho que a entidade música está além dos formatos que a gente já conhece. Achei que neste disco deveria haver uma música que tivesse assim um desprendimento do recorte que a palavra dá. A música não precisa necessariamente da palavra. Uma música sem letra, fica tão mais aberta a emoção que ela pode destravar em cada pessoa, como nenhuma outra música do disco destrava, porque faz com que a pessoa faça contato com a sua letra, com a sua dor mais profundo, e não com o recorte que muitas vezes  expande, ou muitas vezes reduz, com a palavra. Ritos lida com o sensorial”.