O documento, encontrado pelo pesquisador Lucas Pedretti, revela que Caetano fez uma observação ao submeter a música: “‘Merda’  é uma expressão habitual que todos os atores utilizam antes de entrar em cena. É uma tradição que já vem de séculos passados e quer dizer ‘Boa sorte!!’”.

Os primeiros censores aprovaram a música. Giestas, no entanto, ressaltou que o dicionário Aurélio versava apenas sobre o significado “chulo” da expressão. Diante desse argumento, a música foi liberada para ser gravada e executada em shows, “com restrição apenas à radiofusão (TV)”.

O episódio inspirou um cirurgião dentista mineiro, cujo nome vou preservar, a escrever a seguinte carta para o diretor do Serviço da Divisão de Censura de Diversões Públicas. (Esta carta também foi encontrada pelo pesquisador Lucas Pedretti).

Louvo a sua atitude e sinto que penalidade de tal envergadura não se estenda a outros setores da comunicação de massa. São jornais, revistas, rádios que constantemente nos agridem com mensagens mal redigidas, cenas pornográficas, músicas de dúbias interpretações, gírias, enfim, uma enxurrada de mensagens perniciosas.

A carta continua, mas gostaria de destacar um trecho da resposta que os censores enviaram ao cirurgião dentista: “Compreendemos o seu zelo na defesa dos valores que norteiam nossa sociedade. Sua preocupação com a pureza vernacular do nosso idioma é partilhada por muitos, mas, infelizmente, não nos compete tal atribuição”.