Separada do marido, Rosária de Jesus sustentava as duas filhas pequenas como bailarina de tango e cantando em rádios de São Paulo. Como não tinha com quem deixar as meninas, as levava junto. Assim, elas também começaram a cantar. A mais nova, Ruth, logo se tornou uma Shirley Temple paulistana. 

A veia artística vinha de família. O bisavô de Ruth foi ator mambembe no norte de Portugal. Aos 5 anos, ela cantava em parques e festas das comunidades portuguesa e espanhola na capital paulista. Aos 11, fazia parte da orquestra infanto-juvenil da rádio Bandeirantes. Aos 15, estreou no teatro vivendo um personagem masculino na peça “O gaiato de Lisboa”. 

Em 1952, Ruth fez uma participação no filme “Nadando em dinheiro”, de Mazzaropi. No ano seguinte, viveu uma personagem polêmica em “Sós e abandonados”. Ela voltou ao cinema cinco anos depois com “A sina do aventureiro”, um faroeste que foi o primeiro filme de José Mojica Marins, o Zé do Caixão. 

“Ela fazia jus ao signo, era pisciana. Muito sensível, tinha amor pela natureza e um interesse profundo nos mistérios do universo”, conta a filha. Ruth morreu no dia 20 de janeiro, em decorrência de uma pneumonia, aos 85 anos. Deixou Maura e o projeto de restaurar algumas de suas próprias telas.