Resistência foi a palavra de ordem na apresentação da 43ª Mostra de Cinema de São Paulo, que aconteceu na manhã deste sábado (5), no Espaço Itaú Augusta. O evento, que concorre com o Festival do Rio pelo título de maior festival cinematográfico do país, acontece de 17 a 30 de outubro.

As falas da diretora do evento, Renata de Almeida, do secretário de Cultura de São Paulo, Alê Youssef, do presidente do Sesc-SP, Danilo Santos de Miranda, e da presidente da Spcine, Laís Bodanzky, ecoaram o clima de incerteza financeira e de censura enfrentada pela cultura no país nos últimos tempos.

“Pareceu muito importante marcar uma espécie de resistência pró-ativa”, disse Youssef. “É uma maneira de apostar na civilização contra a barbárie, e de levantar uma bandeira contra a censura, contra esses ‘filtros’ que estamos vendo em todas as áreas”, afirmou.

Apesar da atmosfera pessimista e do corte de cerca de 20% do orçamento, com a retirada do patrocínio da Petrobras, Almeida afirma que conseguiu montar uma programação “surpreendentemente forte” nesta edição.

Mas filmes aclamados em Cannes integram a programação, como “O Paraíso Deve Ser Aqui”, de Elia Suleiman, e “O Farol”, de Robert Eggers (de “A Bruxa”), exibido no Auditório Ibirapuera com direito a masterclass, além da exibição do ganhador da Palma de Ouro, “Parasita”, informação adiantada pela Folha.

Outros destaques incluem a vinda do israelense Amos Gitai ao país e uma retrospectiva do francês Olivier Assayas. O crítico Rubens Ewald Filho, morto em junho deste ano, ganha uma homenagem com a exibição de “O Mágico de Oz”, um de seus filmes favoritos, no Vão do Masp.

Daí a escolha de duas produções com nomes brasileiros em suas equipes, “Wasp Network”, de Olivier Assayas, e “Dois Papas”, de Fernando Meirelles, para abrir e fechar a mostra, nesta ordem. Outros títulos nacionais protagonizam pela primeira vez “noites de gala” no Theatro Municipal, “Abe”, “Babenco – Alguém tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou”, “Três Verões” e “A Vida Invisível”, indicação do Brasil para o Oscar de filme em língua estrangeira. 

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