O expediente no trabalho terminou mais cedo para 44 pessoas ligadas à comunidade francesa em Brasília nesta sexta-feira (28/06/2019). O motivo era nobre: às 16h, a França encarava os Estados Unidos, em duelo válido pelas quartas de final da Copa do Mundo de Futebol Feminino. A Embaixada do país europeu abriu as portas para uma festa que terminou com um gostinho amargo após a derrota por 2 x 1 e a eliminação.

Entusiasmado com a repercussão do futebol feminino na atualidade, o embaixador Michel Miraillet explicou o motivo de ter aberto pela primeira vez o cinema da Embaixada para a exibição de uma partida entre mulheres. “A Embaixada é uma instituição aberta para aquele país que está instalada. Temos o hábito de chamar as pessoas. Hoje é ainda mais importante. É formidável por ser um time feminino, mostrar para todo mundo que as mulheres jogam tão bem quanto os homens, talvez até melhor que eles. Elas não ficam caindo o tempo inteiro, é um jogo verdadeiro”, afirma Miraillet.

O embaixador aproveitou para recordar a confraternização no local em 2018, quando recebeu mais de mil pessoas para ver a final da Copa do Mundo masculina, a qual terminou com a França campeã. “É uma ocasião formidável para juntar os amigos brasileiros e a comunidade francesa aqui em Brasília. Sexta-feira, à tarde, as pessoas ainda estão trabalhando… Se chegarmos à final, está prometida uma bela festa aqui na residência.”

A intenção de repetir o feito dos homens em 2018, no entanto, ficará para uma próxima. Quem não conseguiu fugir um pouco antes do serviço perdeu o primeiro gol da partida. Enquanto alguns franceses ainda se acomodavam no sala de cinema da embaixada, a norte-americana Rapinoe abria o placar do jogo, aos 4 minutos. A partir daí, o que era para ser uma festa, se tornou um filme de suspense, cheio de tensão. Unhas ruídas e mãos em posição de oração eram as reações mais comuns entre os franceses.

Aos 19 minutos do 2º tempo Rapinoe esfriou de vez a animação francesa. Ao anotar o segundo gol dos Estados Unidos, ela deixou a sala de cinema da embaixada silenciosa. O ambiente sossegado teve trégua aos 36 minutos. A zagueira Renard usou a cabeça para diminuir o placar e arrancar o grito de gol dos franceses. Ainda que não tenha sido suficiente para levar a França adiante, o momento de euforia foi o bastante para deixar os torcedores satisfeitos com o passeio em horário de expediente.

“A gente fica muito feliz de ver o futebol feminino sendo valorizado depois de tanto tempo, é gratificante”, comemorou a estudante Tatiana Leuridan. Ao lado do pai, ela foi à Embaixada para ver um jogo de futebol pela primeira vez. “É muito importante a gente apoiar o futebol feminino”, reforçou o pai dela, Olivier Leuridan.

Logo após confirmada a eliminação, a francesa Marina Hohl, que vestia uma camisa de 1998 do ídolo Zinedine Zidane, lamentou a derrota. “Os Estados Unidos são muito fortes, né? Mas gostei muito. Acho bom que o futebol feminino esteja crescendo. Eu já joguei e sei que precisa de apoio”, afirma Marina.