A música ambiente tem suscitado reações variadas um mês depois do projeto, iniciado pelo Metrô em 6 de julho. Há usuários enfurecidos, outros felizes da vida e aqueles que nem notaram a mudança. “Música? Nunca tinha reparado. Sempre vou de fone de ouvido”, diz a vendedora Alessandra Aparecida, 23.

Segundo psicólogos, a música tem efeitos variados, que dependem do estilo, do volume, da pessoa e até do humor do dia. “Quando a pessoa está estressada, um ruído adicional pode ser um desgaste. Tem gente que odeia música de relaxamento”, afirma a psicóloga Ana Maria Rossi, da International Stress Management Association.

O psiquiatra do Hospital das Clínicas Elko Perissinotti, especialista em estresse e desgaste profissional, afirma que não há estudos comprobatórios de que a música em meios de transporte tenha benefícios. “Parece palpite do metrô.” 

“Precisaria mudar o contato da roda com o trilho, o perfil do trilho… Seria complexo. Os ruídos da máquina e do deslocamento do ar causado pelo trem são altos mesmo”, diz o físico Marcelo Aquilino, do Laboratório de Conforto Ambiental do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas).

No entanto, segundo o arquiteto Marcos Holtz, da Associação Brasileira para a Qualidade Acústica, a técnica de disfarçar ruídos com sons harmônicos não funciona bem no metrô. “É um local barulhento. A música precisa ser muito alta e acaba sendo invasiva.”

Procurado, o Metrô, ligado à gestão Márcio França (PSB), afirmou que acompanha a opinião dos usuários. “[O Metrô] constata em pesquisas que aqueles que têm alguma posição, positiva, neutra ou negativa sobre o tema formam um contingente mínimo”, disse.

“Se ‘especialistas’ afirmam que não há estudos que comprovem o relaxamento trazido pela música, […] então ninguém pode ser considerado especialista no assunto —e colocar música no ambiente é tão somente questão de liberalidade da empresa, o que vale para consultórios, elevadores, salas de espera e transporte público, como o metrô.”