Para imaginar o futuro, nada mais seguro do que entender o presente. O que deu certo em 2019 deve continuar a se repetir em 2020 —pelo menos num primeiro momento. Depois que o primeiro artista nascido nos anos 2000 chegou ao topo das paradas americanas, é essa geração que deve influenciar o futuro da música, seja consumindo ou criando as sonoridades dos próximos anos. Qualquer exercício de futurologia é também um chute. Aqui vão alguns para 2020.

Mistureba Cada vez mais comum, a mescla de gêneros no pop deve continuar em 2020. Lizzo, principal aposta do Grammy, é tanto rapper quanto cantora de pop, soul e R&B, enquanto Lil Nas X bateu recordes com um hit que embaralha country e rap. Uma geração que cresceu com músicas de —quase— todas as épocas disponíveis a um clique parece já ter esse ecletismo naturalizado em suas composições.

Direitos autorais Brigas como a de Anitta e Ludmilla, por desacordo em relação a direitos autorais, devem se multiplicar. Beatmakers querem assinar como compositores, e não só arranjadores, já que frequentemente são responsáveis por toda a melodia e as batidas de uma música. Convidados para “feats”, outra prática cada vez mais frequente, também estão exigindo coautoria.

Batidão Nos últimos anos, o funk tem sido “penetra” nos principais festivais do país. No Lollapalooza, os MCs Kevin O Chris e Bin Laden já cantaram como convidados de atrações internacionais. No Rock in Rio, o ritmo dominou o Favela, espaço paralelo que reuniu multidões maiores que alguns dos shows principais. Em 2020, o ritmo deve ganhar mais destaque nessas escalações.

9vinhos Em 2019, o Red Hot Chili Peppers tocou pelo terceiro ano seguido no Brasil, enquanto Paul McCartney fez sua oitava turnê e o Iron Maiden seu 40º show no país. Após uma década recheada de roqueiros consagrados lotando estádios Brasil afora, os produtores devem rejuvenescer suas apostas. Depois do BTS, nomes como Harry Styles, Taylor Swift, Travis Scott e Billie Eilish já têm shows confirmados por aqui em 2020.

Nostalgia Sai anos 1990, entra anos 2000. Se o fim do Skank é sintoma do esgotamento da geração do VHS —pelo menos no pop nacional—, o que vem por aí é uma maior influência da primeira década do século na música. Podemos esperar um revival mais intenso do emo? Quem vai atualizar o pop atrevido de Britney Spears? E o próximo Felipe Dylon? Se o estrondo pelos retornos para shows de Sandy & Junior, Rouge, Tribalistas e Los Hermanos for indicativo, esse é o caminho.

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