No final de maio, Aleksandra Terikova, que trabalhava para uma emissora local na remota Nizhnevartovsk, na Sibéria, divulgou um vídeo que mostra sua filha e os colegas dela – que têm 4 e 5 anos – em uma apresentação do jardim de infância. A cena seria muito fofa se não fosse o pesado conteúdo de propaganda pró-governo da música que os pequenos alunos estavam cantando.

No trecho mais polêmico,  eles cantavam: “Deve haver paz na Terra, mas se o comandante nos chamar para a última batalha – Tio Vova, nós estamos com você”. Vova é apelido para Vladimir, e, na letra, uma clara referência ao presidente russo Vladimir Putin.

A música já é bastante conhecida dos russos. Se chama “Tio Vova, estamos com você” e causou controvérsia no ano passado, quando foi publicado um videoclipe em que aparecem crianças e adolescentes cantando a polêmica música. A letra também inclui trechos de propaganda anti-globalização e pró-Rússia, como “a União Europeia não tem opinião própria” e “a Sebastopol e a Crimeia são nossas e nós vamos preservá-las para nossas crianças”.

Alguns dias depois da publicação, Terikova foi demitida. Segundo a Radio Free Europe/Radio Liberty, o diretor-geral do canal local N1, onde a jornalista trabalhava, teria dito a ela que alguém com tamanha “ambição política” deveria trabalhar em uma emissora independente.

A publicação entrou em contato com a emissora N1, que afirmou que Terikova não havia sido demitida por desentendimento político, mas porque violou as políticas da companhia ao “aparecer publicamente com posições políticas em nome da N1”.

“Eu não enviaria minha filha – e eu mesmo não iria – para uma batalha final, não pelo tio Vova ou por qualquer outro ‘tio’ no poder”, acrescentou. “As letras da música podem ser entendidas como um chamado para cometer suicídio”, disse Terikova em entrevista à Rádio Liberty, acrescentando ainda que é irresponsabilidade das escolas ensinar a música para as crianças.

Como notou o diretor de política global da Eurasia, Willis Sparks, na newsletter do grupo, “há muitos nacionalistas estridentes em cada país da Terra, mas sua expressão tem sido um pouco mais institucionalizada na Rússia”. “Temos aqui um jardim de infância que ensina revanchismo imperialista para crianças que ainda estão aprendendo o alfabeto”, comentou.

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