Um dos maiores problemas da nossa finitude é que muitas vezes não temos a oportunidade de conhecer pessoas incríveis e inspiradoras que marcaram a história.

De fato somos contemporâneos a artistas incríveis, mas é uma pena não termos mais a oportunidade de contemplar, por exemplo, shows ao vivo de alguns artistas e grupos que marcaram outras gerações. Um ótimo exemplo é o The Carpenters, dupla norte-americana formada pelos irmãos Karen e Richard Carpenter.

Vencedores de Grammys e intérpretes de uma coleção de hits, os irmãos mantiver a carreira ativa entre 1969 e 1983. O triste fim veio com a notícia da morte inesperada de Karen, aos 32 anos de idade. Karen sofria de anorexia, um distúrbio alimentar pouco conhecido na época, e isso contribuiu para uma insuficiência cardíaca.

Seu talento, no entanto, a deixou registrada no imaginário musical norte americano. Além do incrível alcance vocal, ela também tinha ótimas habilidades com a bateria. Não à toa, a Rolling Stone a considera uma das 100 melhores cantoras de todos os tempos. Por sinal, no início deste mês, Karen completaria 70 anos de idade!

Essa é a proposta da dupla Carpenters Superstar Experience, formada por Sáloa Farah (vocais) e Fábio Pessoa (piano). Trazendo alguns dos maiores hits românticos dos anos 70, eles pretendem resgatar a história dos Carpenters originais. Além disso, pretendem levar adiante o legado da dupla, deixando a chama de suas músicas acesas também para as novas gerações.

Acompanhamos uma apresentação de Sáloa e Fábio no Rio de Janeiro, no último dia 4. De forma completamente respeitosa com a obra original, a dupla nos transportou para os anos 70, percorrendo os maiores sucessos dos Carpenters.

Por sinal, caso você tenha disponibilidade, vale muito a pena. A próxima apresentação do Carpenters Superstar Experience acontecerá no dia 21 de Abril, no Shopping Iguatemi (Campinas).

Atenção, Campinas, estamos chegando!⠀ Dia 21 de abril, no Teatro Oficina Iguatemi.⠀ .⠀ INGRESSOS NA BIO .⠀ .⠀ @musicas_inesqueciveis_ @musicas_607080 @paginamusicaboaromantica445 @carpentersbrasilfans @carpentersfans @carpentersbrasil #carpenterssuperstar #carpenters #campinas #saopaulo #sp #show #carpenterssuperstarexperience

TMDQA!: Deu para ver, pelo show feito no Rio de Janeiro, que vocês não apenas são fãs dos Carpenters originais, como também possuem uma relação pessoal e emocional com a obra deles. Queria que vocês falassem um pouco sobre esse significado deles para vocês.

Fábio Pessoa: Cada componente da banda, tanto músicos quanto o pessoal da equipe técnica, tem seu grau de intimidade com os Carpenters. Pelo fato de alguns terem vivido esta energia da boa música em sua juventude, a emoção é mais forte. Veja, não era só Carpenters. Tínhamos músicas com poesia, melodia e harmonia maravilhosas no final dos anos 60, passando pelos anos 70, que emanava de nomes como Chicago, Alesis Brothers, Bread, Cat Stevens, Gilbert O’Sullivan, Beatles e por aí vai. Foi uma época de ouro na música mundial. Temos certeza de que é cíclico, já que jovens também estão em nossos shows.

Sáloa Farah: Carpenters sempre foi referência para mim, pois meus pais ouviam. E quem não conhece “Close to You“?! Este clássico, inclusive, tem inúmeras regravações lindíssimas!!

TMDQA!: Além da música em si, com seus arranjos elaborados e fiéis ao repertório original, o show teve uma baita produção visual. É como se as imagens reproduzidas no telão, quase que perfeitamente sincronizadas com algumas das performances, nos fizessem ver Karen viva novamente graças à voz de Sáloa. Como isso tudo foi pensado, desde a vestimenta utilizada até a ideia do telão, inclusive exibindo momentos emblemáticos da trajetória da banda como Karen tocando bateria?

Sáloa: A vestimenta foi escolhida por mim, baseada no estilo Karen Carpenter. Aliás, agradecemos à Maysa Gouveia, à Zani Assessoria, à loja My Place e a Cristiano Oliveira que montaram o figurino junto comigo.

Fábio: Tentamos fazer um show envolvente, com imagens, efeitos e muita informação em música e luz. Tentamos trazer um ambiente perfeito para a imersão do nosso publico na magia da música dos Carpenters. Muita gente, após o show, nos conta que se emocionaram com tudo o que passou naqueles 100 minutos. São muito gratificantes estas palavras.

Temos nos policiado na produção dos vídeos exibidos nos shows, para que imagens da Karen não cheguem em demasia. Nossa preocupação de não parecer piegas é grande. Este projeto é um tributo, tentamos fazer o melhor. Em um momento do show, exibimos um documentário de 2 minutos onde Richard fala do novo projeto de reviver 18 músicas deles com a participação da Royal Philarmonic Orchestra de Londres. Em outro momento exibimos um vídeo produzido para a TV americana em meados dos anos 70, onde a Karen faz um show de habilidade na bateria.

TMDQA!: Como foi a escolha do repertório? É claro que os maiores hits estariam incorporados na setlist, mas qual foi o principal critério para a escolha, visto que não existia a possibilidade de tocar tudo deles? Que faixas, se tivessem mais tempo, colocariam no repertório?

Fábio: Queremos mostrar o máximo do que representou a música dos Carpenters. A setlist atual têm 23 músicas. Neste show do RJ acrescentamos “Make Believe” “Solitaire” e “Can’t Smile” em um pot-pourri, que era uma forma corriqueira também deles se apresentarem. São muitos sucessos, e já estamos bolando um novo pot-pourri com “Hurting Each Other“, “Touch Me When We’re Dancing” e “All You Get From Love Is a Love Song“. Os critérios são pesquisa nas chart list das mais executadas na época, tanto nos EUA, como aqui no Brasil, o que sempre refletia nos lançamentos dos compactos.

Fábio: Não há unanimidade, cada um tem sua preferida. Mas têm aquelas canções mágicas, como “Close To You“, “Rainy Days And Mondays“, “Can’t Smile Without You“.

TMDQA!: Assistimos recentemente a uma apresentação de vocês. Como era de se esperar, o público era majoritariamente mais velho, e estavam todos comovidos com a apresentação. Acho que muito disso se deve ao fator nostálgico. Que tipo de feedback vocês ouvem por parte deste público mais velho?

Sáloa: Neste último show, um depoimento que me marcou foi o de uma mulher que disse “Ih! Meu namorado vai fazer aniversário agora! Ele faz próximo ao dia da Karen Carpenter!” e, então, a amiga que estava ao lado dela, exclamou “Que isso! Tá doida?”. Então a fã de Carpenters me disse que viajou tanto no tempo que voltou à época em que os Carpenters estavam nas paradas de sucesso e esse namorado dela era dessa época. O fator nostalgia é eminente. Outra coisa que me marcou muito foi uma senhora que disse quase ter me chamado de Karen. Adorei!

Fábio: Muita gente, pessoalmente após os shows ou por email, Instagram ou Facebook, nos fala dos momentos maravilhosos que passaram conosco durante o show. Só temos a agradecer a estas pessoas, porque isto nos ajuda a proporcionar este projeto.

TMDQA!: Ao mesmo tempo, vimos vários jovens no show, seja por conta própria ou acompanhados por familiares mais velhos. Como é saber que estão ajudando a levar a palavra da dupla adiante para uma geração mais nova?

Sáloa: Primeiramente, é uma grande responsabilidade. No mais, poder passar a sensibilidade e qualidade musical desses grandes artistas para os mais jovens é sempre um prazer.

Fábio: Em 2018, Richard se empenhou em uma mega produção com a Royal Philharmonic de Londres, onde produziu e repaginou 18 sucessos deles, aproveitando somente a voz original da Karen, coisa possível graças a tecnologia atual. Ele regravou tudo com sonoridade e tecnologia atual, e ainda fez arranjos e condução da orquestra! Ficou maravilhoso, e ele e o produtor executivo realçaram em entrevista a intenção de alcançar o público jovem que não viveu nos anos 70. Acontece muito em shows de bandas tributo ou cover como por exemplo Beatles, Bee Gees e outras. Tem muita gente jovem seguindo. Isto é extremamente gratificante!. Confessamos que é grande parte do combustível que nos faz continuar.

TMDQA!: Hoje em dia, vivemos rodeados pelos mais diversos estímulos, que prejudicam nosso foco. Enquanto um grupo cover, como é mergulhar na obra de um artista específico mesmo com tantas possibilidades e opções de música para homenagear por aí?

Fábio: Muita gente que gosta dos Carpenters às vezes não consegue entender, por exemplo a capacidade musical da Karen. Veja que, hoje em dia, qualquer pessoa que não canta bem pode-se afinar a voz no estúdio. Quando vemos e ouvimos a Karen cantando nas gravações em estúdio ou ao vivo, como por exemplo naquele evento na Casa Branca com a presença do presidente Nixon em 1973, não nos damos conta disso. Isso se dá pelo fato de que, hoje em dia, está banalizada a questão da edição em estúdio via computador.

TMDQA!: Temos mania de “substituir” artistas. Falavam no Chris Brown como o “novo Michael Jackson”. Falam que o Greta Van Fleet é o “novo Led Zeppelin”. Apesar de Karen ser uma artista insubstituível, vocês conseguem ver algum artista dos dias de hoje fazendo um trabalho de impacto semelhante na cultura musical mundial? Qual(is)?

Fábio: Karen é insubstituível, como bem você falou. Não queremos fazer isto. Consideramos nosso trabalho um tributo, queremos fazer o melhor possível, com som, imagem, tecnologia e luz, pra ajudar a levar o espectador à época que ele viveu sua juventude, e lembrar-se de coisas boas. Infelizmente muitos excelentes artistas atuais, às vezes, não conseguem um merecido espaço, até porque a concorrência é esmagadora. Tem também a força do lobby de gravadoras, que é muito forte.

Sáloa: Grandes nomes da MPB, como Maria Bethânia, Ana Carolina, Djavan, Elis Regina, Caetano Veloso, Chico Buarque… De artista internacionais, gostamos de nomes como Amy Winehouse, Diana Krall, Nina Simone…

Fábio: Sempre nos ensaios e nos trajetos das viagens, o nosso papo de descontração é sobre música e de uma maneira geral, percebemos que gostamos também de Bee Gees, Beatles, Elton John… Também gostamos de nomes atuais como Adele, Chris Brown, e também dos que se foram precocemente, como Whitney Houston e Michael Jackson.

Sáloa: Estou muito feliz levando o repertório de Carpenters para o público! Realizamos um musical em que todas as apresentações são emocionantes para nós. É muito bom receber o carinho do público! Sempre me emociono quando penso que Karen morreu com a minha idade. 32 anos. Quantos grandes artistas perdemos tão jovens! Essa questão da idade é algo que me toca muito na história da Karen.

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