Ceumar lança 'Espiral' em show espetacular em São Paulo

A cantora e compositora mineira Ceumar, 50, lançou o CD “Espiral”, em show realizado no Sesc Pinheiros, em São Paulo, no último sábado (12), Dia das Crianças. O espetáculo será apresentado novamente neste domingo (13), às 18h, com a participação do cantor e compositor Zeca Baleiro, além de nove integrantes da Orquestra Jovem Tom Jobim (veja vídeos no final do texto).

O Música em Letras esteve no evento e aproveitou a data comemorativa para entrevistar duas crianças presentes no espetáculo. São elas, Safira dos Reis da Cunha Pinto, 13, estudante do sétimo ano do Ensino Fundamental II, e sua irmã Tarsila dos Reis da Cunha Pinto, 9, estudante do terceiro ano do Ensino Fundamental I, as duas paulistanas.

As garotas conhecem o trabalho da cantora Ceumar em CD, e já estiveram em alguns de seus shows. “Gostamos muito da Ceumar, Alceu Valença, Patricia Bastos, Maria Gadú, Vanessa da Mata e Milton Nascimento”, disse Safira sendo interrompida pela irmã Tarsila “Do Caetano [Veloso] também”.

O show conta ainda com um trio formado pelos músicos Fabio Pinczowski (teclados, voz e violão), Jota Erre (bateria e voz) e Fábio Sá (contrabaixos, voz e esraj, instrumento indiano de cordas), acompanhando a cantora.

Segundo as irmãs que tocam entre alguns instrumentos musicais, piano, flauta, violino e de percussão o show foi “espetacular”. “Teve umas dezessete músicas. Todas muito bonitas e emocionantes. Gostei mais da ‘Dindinha’. Foi uma surpresa muito legal quando apareceu a orquestra nessa hora. Já conhecia essa música, mas não era assim. Agora, desse jeito, com a orquestra ficou mais intensa, mais bonita ainda”, disse Safira sobre a canção de Zeca Baleiro gravada no primeiro disco de Ceumar há 20 anos, e que no show tem a participação dos músicos da Orquestra Jovem Tom Jobim.

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Para Tarsila, a música que mais gostou foi “O Seu Olhar”, de Arnaldo Antunes e Paulo Tatit. “Eu já conheço essa música, mas ela ficou diferente. Agora, dá para ouvir mais a voz dela [Ceumar]. Ao vivo é diferente, né?”, disse a menina que escutou, além desta, outras músicas do disco novo e ficou “emocionada”. Entre elas, “Tô Aqui”, de Sergio Pererê; “Espiral”, de Ceumar e César Lacerda; “Descalço”, de Ceumar e Lauro Henriques Jr.; “Três Irmãs”, de Ceumar e Juliano Holanda; “Amanheceu”, de Ceumar e Lauro Henriques Jr.; e “Amar Além”, de Ceumar e Madhav Bechara.

Dos músicos que acompanharam Ceumar, as crianças destacaram dois: Salomão Sidharta Jesus dos Santos (clarinete) e Jota Erre (bateria). “Todos são muito bons, mas esses dois…Sei lá, acho que a bateria tem mais sons”, falou Tarsila sendo interrompida pela irmã “É que o som da bateria é mais contagiante e o solo do clarinetista foi muito bonito e incrível”, disse Safira sobre o momento em que o músico, integrante da Orquestra Jovem Tom Jobim, realmente brilhou solando em “Três Mazás”, de Ceumar e Uxia, outra música do novo CD que tem 11 faixas.

Safira acrescentou ainda em sua fala que: “Nesse último disco parece que mudou muito o jeito das músicas, ficaram mais melódicas, com traços do oriente”, disse com absoluta razão, pois Ceumar descobriu outros caminhos de sons para projetar sua linda voz enveredando por essa praia.

A luz, som, cenário e figurino também foram objetos de comentários das meninas. “A luz estava incrível. Tem um cenário em forma de espiral, acho que por causa do nome do disco, né? Nesse cenário a luz é projetada mudando as cores a cada música tocada, achei isso muito legal. O som teve algumas falhas, no final começou a apitar (microfonia na música “Looking for a Place”, de Tiê Coelho Todão) e em outra música, o violão da Ceumar ficou sem som, mas isso não prejudicou o show, que foi mais do que ótimo”, disse Safira. Sobre o figurino da cantora a opinião de Tarsila foi: “Achei muito bonito. Ela estava com um vestidinho vermelho por cima e um outro laranja por baixo, e descalça”.

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Sobre a recomendação etária do espetáculo ser de 10 anos, as duas irmãs deram suas opiniões. “Não estou de acordo, devia ser livre. Nenhuma música dela [Ceumar] é imprópria”, falou Safira. “É mesmo, tem que ser livre”, completou Tarsila que tem nove anos.

Sobre o público ter se manifestado em alguns momentos gritando “Lula Livre” e “Ele Não”, Safira comentou saber do que se tratava. “A Ceumar também falou alguma coisa sobre libertação da Preta livre e não vejo nada de errado nisso, pelo contrário acho muito certo”. Perguntada sobre o que o público quer dizer com tais palavras de ordem, a esclarecida menina explicou: “Lula Livre é uma fala que, hoje em dia, a população tem para soltar o Lula, que foi preso e acham injusto. Elas, as pessoas, pedem a libertação dele. E ‘Ele Não’, é contra o presidente atual do Brasil, o Bolsonaro. É uma manifestação política, né?”.

Perguntei se elas recomendariam esse show para seus colegas do Centro Educacional Pioneiro, escola onde estudam, em São Paulo. As respostas? “Sim, embora eles gostem mais de Katy Perry e Lady Gaga”, falou Safira. “Não, porque na minha sala ninguém ainda vai em shows”, completou Tarsila.

ARTISTAS Ceumar, Zeca Baleiro, Fabio Pinczowski (teclados, voz e violão), Jota Erre (bateria e voz) e Fábio Sá (contrabaixos, voz e esraj, instrumento indiano de cordas) e nove integrantes da Orquestra Tom Jobim

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