Nada mais italiano que comer um bom prato de macarrão ou tomar um café expresso. Mas a Itália não é só gastronomia. É muito mais. Venha descobrir o acontece na moda, no dia a dia, no design e no turismo desse país que deu ao mundo grandes inventores, poetas, escritores e artistas.

Ele é italiano mas se sente brasileiro. De alma, coração e música. Pietro Scaramuzzo, nasceu na cidade de Montescaglioso, na região de Basilicata, no sul da Itália. O menino que sempre quis ser médico – e se formou em Medicina na Universidade de Siena – também se descobriu crítico musical. Tudo porque se apaixonou pela música popular brasileira.

O acaso fez com que o médico italiano que sempre gostou de música e até teve um banda ouvisse, pela primeira vez a famosa “Chega de Saudade”, cantada por João Gilberto. “Foi amor à primeira vista. Lembro que fiquei maravilhado ao ouvir aquele som. Era algo muito diferente do que eu estava acostumado a ouvir”, lembra Pietro que logo depois se encantou pela letra de Roda Viva, de Chico Buarque. “Foi um caminho sem volta”, brinca o médico, que naquele momento entendeu que a medicina e música fariam parte da sua vida em tempo integral.

A carreira como médico levou Pietro Scaramuzzo à Bari para sua residência em Medicina do Trabalho e hoje ele vive em Lisboa, onde trabalha em um hospital. Mas, desde 2012, o italiano é um reconhecido crítico musical – de música popular brasileira – e mantém o portal italiano Na Boca do Povo, dedicado ao melhor da MPB. Nós conversamos com Pietro Scaramuzzo, em um dos seus dias de folga, e pedimos para ele contar como se tornou o médico da MPB.

Quando eu descobri a canção Roda Viva comecei a pesquisar sobre música brasileira em livros e documentos e percebi que havia muito pouca informação em italiano. Comecei então a pedir para alguns amigos brasileiros enviarem livros sobre o tema e acabei recolhendo um material substancial. Em 2012, ano que criei o portal, fui estudar, por um ano, na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e acabei tendo acesso a discos, livros e shows. Foi aí que pensei em repassar aos apaixonados por MPB tudo o havia aprendido. Foi assim que nasceu o nabocadopovo.it onde escrevo artigos e faço resenha. O ápice porém foi quando comecei a entrevistar em vídeo os grandes nomes da música brasileira, com legendas. Algo inédito para os italianos. Hoje, no site é possível ler entrevistas com nomes como Gilberto Gil, Hermeto Pascoal, Toquinho, Adriana Calcanhotto, Criolo, Emicida, Tom Zé. E muitos deles resolveram dar apoio ao projeto.

Desde criança sempre escutei música. Claro, a música brasileira é a minha paixão. Tenho uma coleção infinita de discos de hard rock, de Deep Purple até o Led Zeppelin, passando por Pink Floyd e Genesis. Gosto muito de Rock Progressivo como os King Crimson e os Emerson Lake and Palmer. E, por que não?, Adoro o que a gente chama de Cantautorato Italiano, ou seja: artistas como o grande como Fabrizio De André, Francesco De Gregori e Franco Battiato que marcaram minha vida.

Muitos. Tive muita sorte em ter encontrado e conversado com grandes artistas. Nunca vou esquecer a primeira vez que me deparei com o Gilberto Gil na Itália. Queria entrevistá-lo há muito tempo e finalmente a assessora de imprensa deu a autorização. Ainda me lembro dela dizendo: “Olha Pietro, 10 minutos”. Quando cheguei para conversar com o Gil, ele falou. “Pietro, você tem 20 minutos”. Acabamos conversando por mais de meia hora. Adorei ter conhecido o Arnaldo Antunes que me recebeu em casa e meu presenteou com vários discos. Também tem o Hermeto Pascoal que encontrei em Roma. Sem falar na ocasião em que estive com o Tom Zé, pura energia apesar dos seus 81 anos. 

Claro tem ainda muitos artistas que adoraria entrevistar. Faz muito tempo que estou correndo atrás de Caetano Veloso. E, é claro, adoraria bater um papo com o Chico Buarque, mesmo que por poucos minutos. Ele vem para Lisboa agora em junho… quem sabe rola!

Acredito que ainda hoje o Brasil consiga produzir bons cantores e compositores. Anitta, teve o mérito de exportar a música da favela, o funk brasileiro para os Estados Unidos. Se você pensar bem, Tom Jobim fez o mesmo ao mostrar para os americanos a Bossa Nova. Anitta não é a melhor funkeira do mundo mas ela tem sua importância. Pabllo Vittar é pura energia. Tem uma voz lindíssima. Enfim…amo de paixão a Bossa Nova e a MPB mas aprecio presenciar a existência de novos talentos como Baiana System, Criolo, Emicida, Anelis Assumpção, Tulipa Ruiz, e todos esses jovens artistas que estão produzindo obras maravilhosas.

O artista brasileiro tem uma poética única que exalta ainda mais a língua portuguesa, que é muito musical. A música brasileira vai buscar inspiração na África, na Itália, na França, em Portugal, na Espanha, na Índia… essa mistura de culturas faz com que a música brasileira traga algo de único e inédito. Não existe no mundo nada que seja parecido com a complexidade da música brasileira, talvez só nos Estados Unidos.

Essa é difícil de responder. Amo o Chico Buarque, quem não o ama? Também adoro Gil, Caetano, Tom Zé, Itamar Assumpção, João Gilberto, Hermeto Pascoal. Isso não quer dizer que eu não goste dessa nova safra de jovens talentos da música brasileira….

Como todos os críticos musicais, eu também gostaria de ter sido cantor (risos). Até tentei. Tive uma banda que se chamava La Bandaccia d’Avanguardia Lucana. Era super divertido. Não tive muito sucesso. Aí  decidiu ir para os bastidores do mundo musical e contar um pouco dele. É um jeito diferente de viver a música. Nem todo o mundo nasceu para ser cantor. Ainda bem!!!!

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