Ao todo, são 19 violeiros. Mas nem todos tocam toadas caipiras ou ritmos do Brasil rural. Tem quem toque a viola para evocar a batida do rock. Tem quem faça música clássica de tom contemporâneo. Algumas músicas são cantadas. Outras são temas instrumentais, como Estudo 09, tema composto e tocado pelo mineiro Reinaldo Azevedo – em foto de Everton Landi – em disco que reúne esses 19 violeiros, a maioria de São Paulo.

Juntos no álbum Viola paulista –Volume I, lançado neste mês de junho de 2018 pelo Selo Sesc, os instrumentistas e as músicas apresentam inédito painel da viola tocada no Estado de São Paulo e, por extensão, na região rotulada como Paulistânia, território que compreende, além de São Paulo, os estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Triângulo Mineiro e Sul de Minas Gerais, Norte do Paraná, parte sul do Mato Grosso e de Tocantins.

A edição em CD de Viola paulista vem com farto libreto que inclui texto do curador e diretor musical do disco, Ivan Vilela, compositor e músico que tem desenvolvido pesquisas sobre a viola caipira. Com a palavra, Vilela: “Das origens populares na Portugal medieval e renascentista, a viola se espalhou por todo o mundo lusófono, mas em nenhum outro lugar se desenvolveu tanto quanto no Brasil. Aqui, acompanhou o desenvolvimento da luteria do violão e, aos poucos, tem conquistado espaços que outrora sequer sonhara frequentar. O que chamamos de cultura caipira se estende por toda esta região chamada Paulistânia, onde ainda se consome em grande escala a música caipira”, ressalta Ivan Vilela.

O elenco e as músicas do álbum reforçam a tese de que a viola extrapola o universo caipira. Um exemplo é a música que abre o disco, Viola castelhana, tema do músico paulista Neto Stéfani. “Certamente as gravações pioneiras de Cornélio Pires ajudaram a fixar a viola no Centro-Sudeste brasileiro a ponto deste instrumento ser nacionalmente conhecido como viola caipira, mas não devemos nos equivocar ao pensarmos que o modo de tocar caipira é a única maneira autêntica que se tem de pontear a viola. Vale lembrar que os primeiros registros escritos sobre a viola no Brasil provém de Recife, em 1580”, ensina Ivan Vilela no texto reproduzido no libreto do CD.

Expondo na prática a teoria de Vilela, o álbum Viola caipira –Volume I inclui temas como Dança da onça (composto e tocado por Gil Fenerich), Improviso violado (composto e tocado pelo paulista Vinícius Alves), Raiz da gameleira (composto e tocado pelo violeiro Zé Márcio), Rasta Zé (composto e tocado pelo paulista Zé Guerreiro) e Viola carpideira (composta e tocada por Jackson Ricarte, violeiro nascido no Ceará e radicado há mais de 20 anos em São Paulo).

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