Música de Bauru perde Nenê Man

Foi sepultado nessa segunda-feira (22), às 14h, no Cemitério São Benedito, o corpo de Luiz Antônio dos Santos, o Nenê Man (ou Men, como alguns também escrevem). O percussionista tinha 63 anos e um leque amplo de amigos na música bauruense.

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“A música, com ele, vinha da alma. Tirava música de tudo. Era o nosso Naná Vasconcelos”, resume o baterista Luiz Manaia, o Ralinho, comparando Nenê a Naná – considerado um dos maiores percussionistas do mundo e que morreu em 2016, aos 71 anos.

Ralinho prossegue: “Nenê tocou muito com o pessoal do samba, foi da Mocidade, da Banda da Folia… E também se apresentou com a turma do jazz e da MPB. Um amigo-irmão meu que se vai. Um cara do bem”.

“Um dia muito triste. Obrigado por fazer parte da nossa vida musical. Obrigado por sua música, seu sorriso e sua simplicidade. Deus é contigo meu irmão”, escreveu o músico Marco Belinasi que, ao lado de Regina Mancebo, vive e toca atualmente em Portugal. “Meu amigo amado, meu parceiro das batucadas, siga em paz para a nova dimensão”, postou Regina.

“Ei, Man, guarde o pandeiro, a timba, aquiete o surdo e o peito. Seguimos por enquanto, com nossa batucada. Meninos [Luís e Léo], o pai de vocês foi grande”, homenageou Tatiana Calmon Carnaval.

“Mais um momento triste no samba bauruense: perdemos o Grande Sambista Nenê, o rei da percussão”, ressaltou Silvio Bevista, do grupo Elite. “Este também fazia parte de minha raiz, o samba puro, dos autoditadas que apren com a arte deram o ritmo na raça. Em nossa escolas de música não tinha vídeo aula, nem cifra clube. Que o céu receba o Nenê”.

Também professor e baterista, Roberto Magalhães enfatizou, por seu Facebook, que Nenê era “uma pessoa encantadora, um grande músico, um amigo do qual jamais esquecerei”. Aliás, também houve o Nenê professor. “Fiz aula com ele sobre percussão afro na USC. Foi ótimo”, conta o cantor Luiz Corrêa.

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Morando em Ribeirão Preto há anos, o cantor e compositor Henrique Rosa lamentou a perda. “Nosso último encontro foi há dois anos no Sesc Bauru. Ele chegou no exato momento em que eu falava sobre a música feita pra ele [“Olhar Preto e Branco”]. Hoje recebo a notícia de que ele se foi. Um amigo querido que conheci aos 16 anos, através da Ma Vellozo, quando tocou percussão com a gente no Fico. Seria a primeira das muitas vezes em que tive o prazer e a honra de tocar com este artista tão visceral”.

Henrique emendou: “Impossível separar a pessoa do artista. Também tenho viva na lembrança a imagem dele todo de branco tocando suas maracas, no Sindicato dos bancários, com o Jorge Mautner no violino ajoelhado aos seus pés. É com essa mesma reverência que me despeço de você, meu irmão. Vai em paz. Seu som vai continuar pulsando no coração de quem teve o privilégio de te conhecer”.

Confira vídeo de Henrique Rosa em show no Sesc Bauru, em março de 2017, quando toca música que compôs para Nenê Man. “Ele está aqui? Palmas”, diz Henrique no palco. Ele aproveita para dedicar a canção a todos os músicos de Bauru.