Música vira remédio para vencer dificuldades e traumas vividos

LAJEADO | É em meio a diversos instrumentos musicais que a aposentada Nady Conradt Wolschick (82) passa seus dias. Natural de Linha Orlando, aos 12 anos ela e a família se mudaram para o centro do município. Com um lado artístico aflorado, decorrente, segundo Nady, dos bisavós, ela sempre gostou de dançar e cantar. Mas foi após o nascimento do irmão mais novo, Flávio, que a paixão pela música se tornou mais intensa. “Eu tinha quase 14 anos quando o Flávio nasceu. Ele nasceu em forma de artista”, relembra emocionada. Foi por meio do irmão que Nady conseguiu se aproximar das artes. Entretanto, ela ressalta que nunca recebeu apoio dos pais. “Nunca me encontrei e eles nunca entenderam que eu tinha um dom diferente. As pessoas debochavam e não me respeitavam. Eu lutei e lutei muito para que a música seguisse na minha vida”, salienta.

Mesmo sem a permissão da família, Nady tentava encontrar formas de estar em contato com a música e os instrumentos existentes em sua casa. Ela conta que Flávio, aos 3 anos, começou a demonstrar interesse pelas artes. “Nossos pais começaram a incentivá-lo. Ele fez aulas, se aperfeiçoou e eu sempre o incentivei, até porque ele sabia da minha paixão”, comenta. No entanto, aos 19 anos Flávio faleceu de forma precoce e, com isso, os sonhos de Nady foram colocados de lado.

Conforme a aposentada, após a morte do irmão, os pais venderam praticamente todos os instrumentos. O chocalho foi o único que ficou e se tornou uma recordação guardada com amor e carinho até hoje. Durante muito anos, Nady não quis mais estar em contato com as artes. Há uns 12 anos, comprou o teclado e viu a paixão ressurgir. Depois dele, novos instrumentos passaram a ocupar espaço na sala e na vida da aposentada. Aprendeu a tocá-los sozinha, mas “parece que ele sempre está perto”, ressalta.

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Com uma vida sofrida, marcada por obstáculos e traumas, Nady encontrou na música a força para seguir em frente. Primeiro, aprendeu a tocar gaita, sua maior paixão. Depois, teclado, pandeirinho, escaleta, violão e bateria. E tudo sempre acompanhado do chocalho do irmão Flávio. “A música sempre me chamou”, frisa.

Ao longo dos anos, Nady escreveu e gravou diversas músicas em seu pequeno gravador. O desejo é produzir e lançar um CD, visando levar alegria para todos. Nady explica que em alguns dias, assim que se levanta, já vai tocar ou criar uma nova música. “Mas eu não sei de onde vem a inspiração. Acho que é algo divino”, destaca.

Em casa, todos os estilos musicais tem espaço e vez. A aposentada comenta que gosta de ouvir de tudo, de músicas antigas aos novos lançamentos. Entretanto, é o sertanejo que faz seu coração bater mais forte. Principalmente as canções de Leonardo e Daniel.

Mãe de um casal, Nady diz que nenhum dos dois, apesar de a incentivarem, acreditava que ela poderia tocar e fazer tantas músicas. “Nem um tem esse lado musical”, brinca. A artista compõe em português e alemão, e algumas músicas com trechos em inglês. Ela pretende, no futuro, também fazer canções com trechos em italiano.

Recentemente, Nady sofreu dois infartos e precisou parar de tocar gaita. “Deus me salvou para eu ficar e realizar meus sonhos e levar a música para outras pessoas”, fala emocionada. Agora, com mais experiência e sem levar a vida tão a sério, a aposentada está começando a fazer apresentações. No entanto, ela destaca que o foco, primeiro, é gravar suas músicas. “Quero levar alegria e música. Nós não temos nada, nós não somos nada. Somos apenas alma e espírito e é disso que temos que cuidar. Saber viver é o mais importante”, aconselha.