Música, desenho e aves. Já imaginou o resultado dessa mistura? Matthias Vogt transformou as três paixões em um espetáculo: a Passarinhada Musical. “Tive a ideia de juntar o desenho de um pássaro e uma partitura musical escrita à mão. Foi assim que nasceu o projeto, uma síntese dos meus interesses principais que são a música, as aves e o desenho”, explica o pianista.

Incentivado pela vontade de valorizar a partitura musical como obra de expressividade gráfica, Matthias encontrou um jeito artístico de mostrar como a natureza influencia músicas e compositores. “Para mim os pássaros simbolizam o ser vivo que mais lembra e inspira a arte humana. Às vezes me parece que grande parte da nossa arte surgiu seguindo o modelo das aves com seu desprendimento do chão, com suas cores, com suas melodias e apitos”, conta.

O projeto também visa a valorização do trabalho de outros compositores que se inspiraram nas aves, como Luiz Gonzaga, com a música Araponga; Tom Jobim, com Passarim e Águas de Março; Chico Buarque, autor de Passaredo, e Edu Lobo, com Corrupião. “Também compus uma música, chamada “Canarinho da Terra”, mas o foco principal é valorizar os compositores, sejam consagrados ou menos conhecidos”, diz.

A partir de uma pesquisa aprofundada sobre a relação das aves, da música e do desenho, Matthias deu início a uma série de ilustrações e partituras, no ano de 2017. “Não demorou muito para levar a ideia a um novo grau de expressividade, que seria o desenvolvimento de um show musical”, conta o pianista que, incentivado pelo amigo André Peloso, formou o trio central do show. “Chamamos também a minha esposa, Thâmile Vidiz, que é cantora, contadora de histórias e pesquisadora de culturas tradicionais”.

Além de um espetáculo musical com narrativas sobre as características, habitat e valor das aves, contação de lendas tradicionais fazem parte do show, que dura cerca de uma hora e meia. As músicas apresentadas são adaptadas com arranjos inéditos desenvolvidos pelos integrantes do grupo, que conta ainda com um percussionista, um flautista e um violonista.

Em algumas apresentações os quadros são projetados no palco, outra maneira de evidenciar as características das aves. “A seleção das espécies foi feita a partir do material musical disponível, a base da frequência que elas podem ser observadas, inclusive na cidade. A ideia é amplificar o leque de espécies, pouco a pouco, incluindo também as aves menos conhecidas”, explica Matthias.

Nascido na Alemanha e criado em uma casa de artistas, Matthias sempre foi apaixonado pelas aves e pelo desenho. “Meu avô imitava os sons das espécies e sabia o nome de muitas árvores. Além disso, desenhos e pinturas estiveram presentes durante toda a minha infância. Então as caminhadas na floresta a procura de pássaros raros e o desenho naturalista de plantas e animais sempre fizeram parte da minha vida”, conta o alemão, que conheceu a música aos oito anos de idade. “Comecei a fazer aulas de piano clássico e me apaixonei”, completa.

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