RIO – São muitos os motivos por trás da escancarada brasilidade abraçada pelo cantor e compositor capixaba Silva em “Brasileiro”, seu quinto álbum de estúdio. Um deles é a proximidade recente com o cancioneiro de Marisa Monte, que gravou em “Silva canta Marisa” (2016), com direito a extensa turnê e registro ao vivo. Outro é a “época que a gente está vivendo, essa loucura” e a vontade de lançar sobre ela um olhar “positivo”. E, mais do que tudo isso, Silva fez uma espécie de renovação de votos com sua profissão.

— Vou completar 30 anos e estou num momento único, realmente gostando de fazer música, do palco. Sempre fugi um pouco do palco, hoje ele me empolga. Passei a pensar muito no público, em fazer uma música que as pessoas gostem de cantar junto — explica. — Quando comecei a criar esse disco, tudo já estava saindo com muita cara de Brasil. Passei a tocar mais violão, o que deixa o som naturalmente mais brasileiro.

A guinada de Silva para uma sonoridade mais local é, sim, digna de nota. Quando começou a gravar músicas e divulgá-las na internet, no início da década, o artista acabara de voltar de uma temporada na Irlanda, cheio de ideias e influências.

“Brasileiro” é o quarto álbum de canções autorais em uma carreira fonográfica iniciada há seis anos com “Claridão”. Junto com EP “2012”, o disco apresentou ao público um compositor (ao lado do parceiro e irmão, Lucas Silva) que reúne canções românticas com uma produção de roupagem “gringa” — como sinônimo de contemporânea — focada em teclados e sintetizadores.

Foi assim que Silva acabou abraçado por um público mais indie, sendo até comparado com Guilherme Arantes. “Vista pro mar” (2014) reforçou essas relações, mas “Júpiter” (2015) sinalizava uma mudança: com sonoridade mais simples e acessível, radiofônica, expandiu sua base. O single “Feliz e ponto” virou hit, com mais de cinco milhões de reproduções no Spotify. E as aproximações recentes com Marisa, Lulu Santos e Gal Costa (que gravou uma das músicas dele no novo disco) jogaram-no de vez no campo popular.

Em “Brasileiro”, Silva abre os braços ao apresentar suas referências brasileiras. Flerta, mesmo que de maneira tímida, com o Clube da Esquina (“Ela voa”, parceria com Ronaldo Bastos), com o axé baiano (“A cor é rosa” e “Guerra de amor”), com a bossa e o pagode romântico (“Prova dos nove”), tendo como pano de fundo um violão joãogilbertiano.

— Antes, eu ficava pensando muito em como meus discos seriam. Eles vinham de uma ideia pronta. Neste, fui deixando acontecer. Se pegasse o violão e saísse uma bossa, era para esse lado que a música iria. Por isso entraram coisas que ficam na minha cabeça: João Gilberto, João Donato, Clube da Esquina, Caetano, Gil… Foi muito bom me relacionar com a música brasileira sem achar que é um bicho de sete cabeças, que é para outra geração ou que os mais novos não vão entender — comemora.

Depois de convidar Fernanda Takai para “Vista pro mar” (na faixa “Okinawa”) e gravar com Marisa Monte no disco em que relê o repertório dela (“Noturna”), Silva estava com “Brasileiro” praticamente pronto quando foi instigado pelo irmão a imaginar uma dobradinha. Ao reouvir o trabalho, só pensou num nome: Anitta encaixaria perfeitamente na íntima “Fica tudo bem”. A faixa já toma forma de hit: antes mesmo de ter clipe lançado, entrou na lista mundial de músicas virais do Spotify.

— Achei que seria impossível pelo tamanho dela hoje e por não termos amigos em comum. Mas Anitta adorou a música, me procurou no Instagram falando que queria gravar, queria fazer clipe, daquele jeito furacão dela. Foi ótimo porque quebra essa coisa de que MPB é música chique. Chamei Anitta como boa cantora, não como popstar brasileira — conta.

“Doido para tocar”, Silva já tem encontro marcado com o público carioca para apresentar o repertório de “Brasileiro”: nos dias 6, 7 e 8 de julho, ele, Lucas Arruda (baixo, synth e piano) e Hugo Coutinho (bateria e programações) ocuparão o palco do Teatro Net Rio, em Copacabana. Os ingressos estão à venda no site Ingresso Rápido (entre R$ 80 e R$ 100).

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