Em tempos de pandemia do Coronavírus, o certo mesmo é ficar em casa. Para quem gosta de viajar, uma opção é ler e se planejar para que, quando estiver tudo bem, seja possível conhecer a bela capital da Áustria.

Parti de Lisboa. Na ida são 2h50 minutos de voo. Você pode conferir aqui a minha experiência com a Lauda, companhia aérea austríaca low cost. Escolhi Viena um tanto quanto aleatoriamente. Na verdade começo a me aprofundar mais pela região central e leste da Europa e meus planos, apesar de já ter ido até o extremo norte do continente chegando até o Mar Báltico, são de voltar e recomeçar.

Viena é uma cidade super acessível e com transporte público eficiente. Então, é muito fácil chegar do aeroporto até o centro da cidade. Outra facilidade é que o Aeroporto Internacional de Viena fica a apenas 20Km do centro, o que possibilita tomar táxis ou transporte por aplicativos sem gastar tanto. Do terminal ao centro há várias opções, desde os ônibus, trens, transfers, táxis e transportes por aplicativos. Escolhi o mais barato, o trem normal. Há um trem expresso, mas queria testar o serviço público como os austríacos e me surpreendi.

Aliás, uma dica valiosa para quem visita a cidade é adquirir o Viena City Card, que dá acesso a rede de transporte público, inclui tour em ônibus hop-on hop-off e até mesmo transfer do e para o aeroporto. O preço vai do mais simples, 17 euros, que inclui por 24 horas o transporte público até o mais completo, que dura 72 horas inclui transfer, transporte público e tour por 72 euros.

Mas você pode deixar para decidir qual usar depois de se instalar no seu hotel. Eu fiquei em um hostel pertinho da Wien-Hauptbahnhof, a principal estação da cidade. Portanto o acesso do aeroporto foi muito fácil. Comprei o tíquete de ida por 4,20 euros e não levou mais que 15 minutos do terminal até Hauptbahnhof. Vale lembrar que Hauptbahnhof não fica na zona central de Viena. Uma vantagem é que a região é mais barata, super bem servida de transportes públicos e de atrações. Ali perto fica o belíssimo palácio Belvedere e um pouco mais adiante chega-se ao centro, mesmo a pé.

Como me hospedei perto de Hauptbahnhof, minha opção mais lógica de começar uma visita era pelo Palácio Belvedere. O Viena City Card me deu 50% de desconto na entrada. O preço para ver todos os recintos abertos ao público custa 25 euros. Com o Viena City Card paguei 12,50.

O Belvedere foi erguido originalmente como o palácio de verão do Príncipe Eugene de Saboya. No início do século XX ganhou sua primeira sala de exposição com obras modernas de artistas austríacos. Aos poucos o Belvedere deixou de ser um palácio do ponto de vista monárquico para desempenhar o importante papel de exibir obras de arte, além de sua própria arquitetura, que é deslumbrante. Um dos lugares mais lindos depois da parte interna é visitar os jardins tanto da parte alta quanto da parte baixa. Na primavera, quando estão floridos, a experiência é ainda mais bela.
Site: belvedere.at

A praça é o centro nervoso de Viena. É um verdadeiro shopping a céu aberto, com lojas de grife e comércio local. Encontrei a loja de discos da gravadora EMI e incrivelmente tinham uma sessão de discos de vinil. Foi muito bom percorrer as prateleiras com lançamentos de álbuns de artistas de rock e até mesmo clássicos. Stephansplatz também é um ótimo lugar para sentar e apreciar o vaivém dos turistas e dos locais. Aproveite para tomar um café ou um vinho nos vários bares e restaurantes espalhados pela charmosa região.

Mas o que eu queria ver mesmo era a edificação que marca o horizonte da cidade e pode ser vista de muito, muito longe: a catedral. Dedicada a São Estevão, o templo em estilo meio romântico e meio gótico foi erguido no início do século XII. A entrada é gratuita mas há um interessante tour que leva aos túmulos da Família Habsburgo, a mais importante dinastia monárquica que regeu a Austria. O ingresso para o tour custa cerca de 6 euros.

Um lugar para visitar o passado e ao mesmo tempo observar o presente e o futuro da arte made in Áustria é passear pelo Museumsquartier. O quarteirão dos museus tem nada menos de 60 mil metros quadrados de área rodeada de edifícios em estilo barroco e moderno que abrigam oito museus e espaços que são a casa de grande festivais de dança, de cinema e de teatro, além de incontáveis eventos culturais. E mesmo quando não há eventos, o lugar deve ser visitado, tanto por sua beleza, quanto por sua importância para Viena. Sempre há algo acontecendo, mesmo que não seja oficial. É o ponto de muitos jovens que mostram a sua arte nas ruas.

Ir a Viena e não ver a ópera é como ir a Roma e não ver o Papa. Não é a toa que Viena é conhecida como a cidade da música. Beethoven, Schubert, Brahms e outros grandes compositores da música erudita viveram em Viena e estão, inclusive sepultados na cidade. Por isso, a Ópera de Viena deve ser vista mais no contexto histórico do que pelo viés de gosto musical. Digo isso a quem não aprecia música clássica. Pois imagine poder sentar-se em um lugar que foi inaugurado por Mozart, em 1869? E outra, não é preciso ir assistir a uma apresentação para se conhecer a ópera. Ela fica aberta com visitas guiadas.
Site: wiener-staatsoper.at

Música do passado e do futuro
Um lugar interessantíssimo para conhecer de perto os compositores clássicos e, ao mesmo tempo interagir com a tecnologia musical, é visitar a Haus der Musik, ou Casa da Música. O museu tem seis andares onde estão dispostas instalações dedicadas aos mestres da composição erudita e outros ambientes em que é possível simplesmente relaxar em pufes enquanto se assiste a uma projeção no teto com a representação de ondas e notas musicais. Em outro espaço, óculos 3D possibilitam, por exemplo, tocar uma onda musical. O último andar reserva uma experiência muito interessante, reger a Orquestra Filarmônica de Viena com a ajuda virtual do célebre maestro Zubin Mehta.
Site: hausdermusik.com

Schönbrunn
O ponto alta desta viagem é sem dúvida o Palácio de Schönbrunn. Neste lugar é que podemos ter a dimensão do império austríaco. Não é possível visitar todo o interior, mas os ambientes abertos ao público mostram o tamanho da riqueza e do poderio real. O palácio foi erguido no século XVII como residência da a imperatriz Leonor Gonzaga. Foi parcialmente destruído no mesmo século pelos turcos e só foi reerguido e expandido no século seguinte a mando da imperatriz Maria Teresa. Entre os destaques para ver no palácio estão o belíssimo salão de baile e, se a visita for na primavera, os jardins, que são de tirar o fôlego de tamanha beleza.
Site: schoenbrunn.at

Brasil
Schönbrunn tem uma forte ligação com o Brasil. Foi neste palácio que viveu D. Leopoldina de Habsburgo, que em 1817 casou-se com Pedro I, e que mais tarde se transformou no imperador do Brasil.

Escolhi dois pratos típicos da Áustria para provar nesta viagem. O primeiro deles é o Wienerschnitzel. Nada muito estranho para nosso paladar luso-brasileiro. É um bife de porco feito à milanesa. É encontrado em restaurantes e vem acompanhado de batatas fritas. Nos food trucks também é vendido como recheio de um sanduíche. Para quem não come carne de porco há também com carne de frango e bovina.

E se você gosta de sobremesas, Viena é o lugar prefeito para se deliciar com elas. A mais famosa é a sachertorte. Trata-se de um bolo de chocolate recheado de geleia de damasco e uma generosa cobertura de chocolate. Se você é do tipo formiga, que adora um doce, será difícil ficar apenas em um fatia. Aproveite para comer acompanhado de um café sem açúcar. A experiência é deliciosa.

* Eduardo Gregori visitou Viena com o apoio do Vienna Tourist Board, agência de promoção e marketing turístico da cidade de Viena. O jornalista agradece ao suporte do Viena City Card 

Leia o Blog Eu Por AíAssista ao Programa Eu Por Aí no YouTubeAssista ao Programa Tutu com Bacalhau no YouTube
Redes Sociais Curta a página do Eu Por Aí no FacebookCurta o perfil do Eu Por Aí no Instagram Fale comigo pelo TwitterCurta o perfil do Eu Por Aí no Tumblr 

Comentários