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Na Bahia, Skank inicia sua turnê de saideira, que vai durar até o fim do ano

“Vamos encerrar um primeiro ciclo. Não é um final, vamos retomar mais pra frente”, garantiu Samuel Rosa, vocalista do Skank, tranquilizando o público da Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador, que esgotou com quatro dias de antecedência os ingressos para o segundo show da “Turnê da Despedida” da banda. “Os ingressos estão esgotados, mas nós não”, brincou Samuel.

A turnê começou na sexta (6), em Feira de Santana, interior baiano. No show deste sábado (7), em Salvador, a banda mineira continuou a sua saideira, que vai durar até o fim do ano, ressaltando sua relação com a Bahia e apresentando um repertório que passeou por todas as fases da carreira do quarteto, formado em 1991, em Belo Horizonte.

Depois de “Pacato Cidadão”, hit do álbum “Calango” (1994), Samuel Rosa pediu mais dinheiro para a educação e citou um trecho da própria canção: “Se o país não for pra cada um/ Pode estar certo/ Não vai ser pra nenhum”.

A cada troca de guitarra do vocalista, os fãs tentavam adivinhar as músicas que viriam, e que o tempo transformou em clássicos. Quando Samuel pegava o violão, o público pedia por “Resposta”, parceria dele com Nando Reis. “Essa é a última, se a gente tocar agora o show acaba”, entregou.

Antes vieram “Dois Rios”, “Saideira”, “Balada do Amor Inabalável”, “Canção Noturna” e “Três Lados”. A novidade foi “Formato Mínimo”, do disco “Cosmotron” (2003), música que o Skank não tocava ao vivo há 16 anos. “O show daqui vai ser só o daqui”, explicou Samuel, que tinha postado nas redes sociais uma foto do setlist do show do dia anterior.

Na parte do show mais voltado para o reggae, Samuel ressaltou a influência da música baiana, principalmente em “O Beijo e a Reza”, dizendo que a Concha Acústica traz uma incrível “mobilização emocional” toda vez que que tocam por lá e pedindo para tirarem fotos aproveitando a característica do lugar, que tem as arquibancadas inclinadas, e marcarem a banda nas redes sociais.

Provavelmente a banda brasileira que mais relação tem com o futebol, o Skank não deixou faltar “É uma Partida de Futebol”, do disco “O Samba Poconé” (1996). Depois de tocarem o maior hit do grupo, “Garota Nacional”, do mesmo disco, Samuel lembrou que, numa época sem internet, a música conseguiu ficar em primeiro lugar nas paradas de sucesso da Espanha, algo inédito para uma canção em português. “Se fosse hoje, quando Cristiano Ronaldo fizesse um gol, ele ia dançar essa música”, brincou Samuel.

Em “Jackie Tequila”, outro hit do “Calango”, Samuel misturou-se ao público da primeira fila e cantou com eles. No bis, a novidade foi “Mandrake e os Cubanos”: “Fizemos essa música para o Haroldo”, brincou Samuel sobre o baterista da banda, protagonista do videoclipe da canção, em 1999. Depois da aguardada “Resposta”, o show terminou com “Tão Seu”, música de “O Samba Poconé”, e com o vocalista prometendo que o Skank vai voltar a Salvador antes do fim da turnê.

Em novembro de 2019, Samuel Rosa revelou à coluna de Mônica Bergamo que o Skank faria “uma parada sem previsão de volta”. Desde 1993, quando relançou o primeiro disco, a banda nunca ficou mais de dois meses sem fazer shows.

Se alguém tivesse dito ao adolescente cruzeirense Samuel Rosa, no início dos anos 1980 —quando ele abandonou o futebol de salão do clube Olímpico para dedicar-se à música—, que ele ainda formaria uma banda que iria marcar a história da música brasileira e só terminaria quando seu time de coração fosse para a segunda divisão, ele provavelmente não acreditaria. Pelo menos não que seu time tivesse de jogar a Série B.

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