O coletivo Ponte Cultural promove há três anos o Cineclube Tamoio que abre espaço para a produção audiovisual independente na cidade de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Com a iniciativa, o coletivo, além de oferecer mais uma opção de arte e lazer, também levanta o debate sobre a falta de políticas públicas para a localidade e o domínio das grandes produções nos cinemas brasileiros. 

Em conversa com o programa Brasil de Fato na última segunda-feira (24), Marcos Moura, integrante do coletivo, falou sobre a ideia. De acordo com Moura, existe uma dificuldade para o cinema independente escoar as suas produções e, neste sentido, o Cineclube Tamoio cumpre um importante papel no setor da distribuição dos filmes.

“A proposta é de fato incentivar o acesso a filmes de produções independentes. Sabemos que o produtor brasileiro não consegue uma sala de cinema para poder exibir o seu material, só nos festivais ou nos cineclubes. Temos muito material importante para a população ter acesso. Então, ao mesmo tempo que a gente dá essa oportunidade para que essas produções sejam vistas e exibidas, a gente também está levando essa mensagem até a sociedade”, explicou.

O cineclube é realizado no bairro Apollo 2, região que está no limite das cidades de Itaboraí e São Gonçalo. A localização traz também a questão da falta de iniciativas públicas para a população. “Em São Gonçalo nós temos salas de cinema dentro do shopping, que acaba caindo naquilo da gente não conseguir exibir as nossas produções, e digo nossas pois também sou produtor”, relatou.

A cidade de Itaboraí atualmente possui 240 mil habitantes e conta somente com um cinema localizado dentro do único shopping da cidade. A realidade é ainda pior em São Gonçalo, com 1,3 milhão de habitantes, o município possui apenas dois cinemas, também localizados em centros de compras. 

“Ainda que tivéssemos mais salas de cinema, não teríamos esse espaço para a produção independente. Eu vejo o cineclube como um movimento de resistência. Os cinemas de rua foram fechando e a gente agora tem só os filmes que ainda que não se restrinjam a filmes internacionais, não são produções independentes”, afirmou.

O espaço do cineclube existe como evento permanente do Festival de Cinema de São Gonçalo, também promovido pelo coletivo Ponte Cultural todos os anos em setembro.

Na última terça-feira (25), o cineclube exibiu o filme No!, uma produção de 2012, que conta o processo que levou o Chile, nos anos 80, à redemocratização depois de uma das ditaduras mais cruéis da América Latina. Além da exibição do filme, o evento, feito em parceria com a Contatos: Reconstruindo a Publicidade, um projeto de extensão da Universidade Federal Fluminense (UFF), contou com a participação da equipe do longa.