“Uno em espanhol significa um, mas também quer dizer unir, juntar, ao mesmo tempo e é isso que esse trabalho é, a reflexão de que é uma benção levar a vida nessa encruzilhada”, ressalta o músico e médico Daniel Drexler, que mostra hoje São Leopoldo Fest o show Uno. Aliás, a terça-feira na festa alemã será de entrada franca. O show ocorre a partir das 20 horas na estrutura montada no Largo Rui Porto. A apresentação de Drexler na cidade é uma realização do Sesc São Leopoldo e da Prefeitura. Nas composições ele mistura ciência e poesia para dar fôlego para a sua encruzilhada criativa.

Foto por: Santiago Epstein/Divulgação Descrição da foto: Irmão do vencedor do Oscar Jorge Drexler, Daniel toca hoje na SL Fest

Irmão mais novo de Jorge Drexler, Daniel apresenta pela primeira vez em São Leopoldo show de seu novo disco, o sétimo álbum de sua carreira. Nesse trabalho aparece o olhar sensível de um artista que busca viver sua vida em uma dimensão poética, com maior presença do que o olhar científico do mundo, presente em seus discos anteriores. As músicas do novo disco possuem forte marca do pulso rítmico de Montevidéu, mas é também um ponto de encontro entre a música de raiz afro do Rio da Prata com o universo percussivo e harmônico carioca.

Os leopoldenses vão assistir o mesmo show que recebeu destaque na imprensa espanhola, executando músicas do novo disco, versões inéditas para as músicas dos trabalhos anteriores e ainda canções inéditas não registrada em estúdio. Conforme dados da produção, a turnê Uno estreou em 2017 no Teatro Solís e desde então foi apresentado em mais de 60 cidades da Argentina, Espanha e Uruguai. No Brasil, o show foi apresentado em Porto Alegre, no Theatro São Pedro com ingressos esgotados.

O disco conta com participações de artistas dos três países, destacando Marcos Suzano, Davi Moraes, Domenico Lancelloti, Johnny Neves e Martin Ibarpuru, entre outros. Após São Leopoldo, ele retorna ao Brasil para mais duas apresentações: em Canoas, dia 9 de agosto, no Teatro Sesc Canoas; e dia 14 de setembro, no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo. Até o fim do ano, a turnê de Daniel Drexler também será apresentada no Uruguai, Argentina e México.

Daniel Drexler – O que aconteceu é que durante muito tempo, eu achei que estava vivendo em dois universos paralelos, de um lado a música e a arte e do outro a medicina e a ciência. Enxergava alguns amigos se desenvolvendo em seus projetos na medicina e outros em seus projetos artísticos e eu continuava em dúvida de qual caminho seguir. Nos últimos anos tomei conta de que estava em uma encruzilhada criativa e dinâmica e que nos dois lados aconteceram coisas boas e interessantes e então percebi, que estar parado nessa encruzilhada é uma bênção.

Drexler – Tudo! Tudo o que tem a ver com o ser humano, com o jeito de viver a vida e de enxergar o universo, as misérias e alegrias. E isso fica refletido no meu CD, onde tem uma música, por exemplo, que fala sobre a maravilha da dimensão poética e outra que fala sobre os fenômenos de exclusão das grandes cidades da América do Sul e da violência em geral e como essas coisas estão presentes no nosso continente.

Drexler – Quando gera emoção. O mais importante na arte é gerar emoção e a música é uma arte empática. A música tem o dom de transmitir emoção e gerar nas pessoas o sentimento de comunhão. Em um show, o músico que está no palco não conhece as pessoas da plateia, mas uma música boa gera uma ponte entre almas. A música me surpreende quando tem qualidade de gerar emoção e empatia.

Drexler – Eu acabo de voltar de uma turnê pela Espanha e show em Tel Aviv, em Israel, e agora tenho shows no Rio Grande do Sul e em agosto no Uruguai. Em setembro eu tenho lançamento de Uno no Auditório Ibirapuera em São Paulo, outubro turnê pela Argentina e em novembro lançamento e turnê de um mês pelo México. Todos os meus próximos planos envolvem o Uno e sua divulgação em todos os territórios que percorri como músico. E ano que vem a divulgação ocorrerá nos Estados Unidos.

Drexler – Sempre trabalho com gaúchos, inclusive meu primeiro single de Uno é em parceria com um gaúcho. Todo mundo no Rio Grande do Sul com quem sonhei em trabalhar, ou já trabalhei, como Vitor Ramil, ou estou trabalhando. Nós uruguaios e gaúchos temos uma forma de ver o mundo muito parecida, comemos as mesmas coisas, tomamos chimarrão, somos um povo da fronteira, por isso que sempre quando cruzo a fronteira sinto que continuo no meu país.

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