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Nos passos de Mourinho e Jesus, nova geração de técnicos portugueses domina a Liga Europa

Quando a bola rolar na tarde desta quinta-feira para os jogos de ida da primeira fase de mata-mata da Liga Europa, o sotaque lusitano vai falar mais alto à beira dos gramados do Velho Continente. Das 32 equipes que sonham com o título, oito são dirigidas por técnicos portugueses, 25% do total.

A "invasão portuguesa" na Liga Europa – maior contingente de técnicos de um só país nesta fase, seguido de longe pela Espanha, com quatro – confirma o bom momento da nova geração de treinadores de Portugal. Quatro deles dirigem times locais:

Pelo menos um deles não chegará às oitavas de final, já que Shakhtar Donetsk e Benfica se enfrentam nesta fase, com jogo de ida na Cracóvia, às 14h55 (horário de Brasília) desta quinta. Os outros confrontos dos times dirigidos por portugueses são: Wolverhampton x Espanyol (14h55), Sporting x Istanbul Basaksehir (14h55), Bayer Leverkusen x Porto (17h), Olympiacos x Arsenal (17h), Roma x Gent (17h) e Rangers x Braga (17h).

O feito pode ser considerado símbolo do momento de prestígio que os treinadores lusos vivem não só em terras europeias. Um dos grandes exemplos está perto, dominando as atenções do futebol brasileiro desde o meio do ano passado: Jorge Jesus, campeão da Libertadores e do Campeonato Brasileiro com o Flamengo. Mas também há lusos conquistando países menos tradicionais, como a Coreia do Sul.

– A partir do momento em que nós percebemos em Portugal que a boa formação dos nossos jogadores passava pela maior qualificação dos treinadores, começamos cada vez mais a ter um nível de exigência maior, e a Federação Portuguesa começou a criar mecanismos para formação dos treinadores. Esse foi um dos potencializadores desta onda, um modelo de formação que foi se espalhando pela Europa – acredita o técnico português José Morais, atual campeão sul-coreano com o Jeonbuk.

Morais, de 54 anos, faz parte de uma geração anterior de treinadores portugueses, que iniciaram a carreira no começo do século. Nem sempre, porém, esteve à beira do campo. Por cinco temporadas, entre 2009 e 2014, trabalhou como auxiliar de José Mourinho na Inter de Milão, Real Madrid e Chelsea. Amigo do atual técnico do Tottenham Hotspur há duas décadas, ele reconhece que o sucesso do "Special One" não apenas serviu de inspiração como abriu as portas da Europa para as gerações seguintes de treinadores lusitanos.

– Isso criou uma identidade para o treinador português, pela qualidade que ele mostrou, e fez com que o mundo passasse a olhar para os treinadores portugueses – afirmou Morais, que destaca o conceito de periodização tática como o grande legado de Mourinho para os novos treinadores.

– Há um antes e depois de José Mourinho. Ele criou uma metodologia de trabalho que não havia. Depois dele, surgiram muitos e muitos treinadores, e hoje os portugueses são valorizados e contratados em todo o mundo – observa.

Três dos técnicos portugueses que estão na segunda fase da Liga Europa foram comandados por José Mourinho quando jogavam: Nuno Espírito Santo e Sergio Conceição, no Porto; e Silas, no União de Leiria e no Porto. Duas vezes campeão da Champions League (2003/04, com o Porto, e 2009/10, com a Inter de Milão), Mourinho também já conquistou a Liga Europa, com o Manchester United, na temporada 2016/17.

O novato da turma, Rúben Amorim, jogou no Benfica com Jorge Jesus. Já Bruno Lage era treinador dos juniores do Benfica quando Jesus chegou ao clube, em 2009. Na equipe lisboeta, o técnico do Flamengo esteve duas vezes a um passo de conquistar a Liga Europa: foi vice-campeão nas temporadas 2012/13 e 2013/14.

– A nova estrela do futebol português entre os treinadores é o Rúben Amorin. Ele ainda não tem o curso da Federação Portuguesa para ser treinador principal, por isso ainda está inscrito como treinador adjunto, mas o Braga é a grande surpresa do futebol português nesta temporada, inclusive já conquistou a Taça da Liga este ano.

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