André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

O Palmeiras matou desde o primeiro minuto no Allianz Parque a intensidade e o jogo pelas pontas do Atlético. Com muita concentração defensiva, dificultando a saida de bola do adversário e muito confortável nas transições ofensivas em velocidade.

Porque a proposta de Jorge Sampaoli depende de protagonismo em campo e da participação ativa dos laterais na articulação. Mas Guga e Guilherme Arana pareciam sempre no meio do caminho: não colaboravam ativamente, Arana um pouco mais, e escancaravam as costas para a aceleração de Rony e Wesley.

No meio, Felipe Melo coordenava bem a proteção a Luan e Gustavo Gómez, negando espaços a Nathan, posicionado por Sampaoli como uma espécie de “falso nove” e matando também a proposta de acionar Marrony em diagonal partindo da esquerda.

Luiz Adriano recuava para fazer o pivô, facilitar as infiltrações dos pontas e também chamar a aproximação dos meias Zé Rafael e Raphael Veiga, este o autor do primeiro gol que começou a desmoronar o Galo.

Porque a cada pedido de contratações de Sampaoli, os jogadores atleticanos perdem confiança e jogos. Neste caso as semanas livres de trabalho jogam até contra na gestão do vestiário.

Fragilizado e exposto, o time mineiro foi um convite para os contra-ataques rápidos. Sampaoli até tentou deslocr Nathan para a ponta direita e abrir bem Arana do lado oposto para espaçar a marcação e dar trabalho a Gabriel Menino.

Mas linhas adiantadas, sem vigor no perde-pressiona e um zagueiro lento como Rever, qualquer time vira presa fácil. O Palmeiras competiu em alto nível, com 35% de posse, mas 19 finalizações – oito na direção da meta de Everson. Fechou os 3 a 0 com gols de Rony e Wesley.deitando e rolando nas costas da retaguarda atleticana.

Com a chegada do português Abel Ferreira, o auxiliar Andrey “Cebola” Lopes sai de cena com quatro vitórias convincentes, depois da derrota para o Fortaleza. Também uma aura de Jorginho “Cantinflas”, que em 2009 entregou o time alviverde lider absoluto do Brasileiro ao então tricampeão Muricy Ramalho.

O final da história que parecia na época não ter como dar errado foi com o Palmeiras fora até da zona de classificação da Libertadores. Ficou para sempre a impressão de que teria sido melhor manter o interino.

Tese sempre questionável, já que muitas efetivações costumam seguir o seguinte roteiro: jogadores abraçam o “novato”, principalmente os mais experientes, que tomam conta do vestiário e ganham vagas cativas – quem é louco de botar um medalhão no banco sem currículo e respaldo?

Mas quando a equipe oscila não há autoridade para fazer as mudanças necessárias. Em algum casos falta também vivência e/ou conteúdo para um trabalho mais longo e consistente. O prazo de validade costuma ser bem curto.

Essa memória, porém, vai rondar o clube. Por outro lado, Abel assume um time em alta, que ajudou a “achatar” a tabela na última rodada do primeiro turno e, com um jogo a menos, está a sete pontos de Internacional e Flamengo. Com boas possibilidades também na Copa do Brasil e, especialmente, na Libertadores.

Comentários