O áudio que circula nas redes sociais com informações do que foi discutido na reunião no Instituto do Coração (InCor) sobre o coronavírus realizada nesta quarta (11) é realmente de autoria do vice-presidente do Conselho Diretor do Instituto InCor, Fábio Jatene, confirmou David Uip, infectologista e coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus no Estado de São Paulo, em coletiva de imprensa nesta quinta (12).

“Esse áudio do meu queridíssimo amigo Fábio Jatene é verídico”, disse Uip. “Foi gravado depois de uma reunião cientifica no Incor em que discutimos estratégias de combate ao vírus. Ele fala ali com a cabeça de cirurgião e não de planejamento. Cirurgião cardíaco é assim, pontua, interpreta e resolve”, conta. “Isso não se instala imediatamente. Os números que mencionamos sobre a necessidade de leitos vão evoluindo”, explica. “O InCor tem uma unidade de terapia intensiva para insuficiencia respiratória, que treinará todas as unidades de insuficiências respiratórias do Estado de São Paulo. Ela foi criada para um momento como este”, disse.

No áudio que circula principalmente pelo Whatsapp, Jatene afirma que a tendência é que os casos de coronavírus no Brasil “explodam” nos próximos dias. “Eles disseram para ter muito cuidado com pessoas de idade. Pessoas idosas não devem se expor de jeito nenhum. Deve-se reduzir ao máximo a possibilidade de contágio, porque nos velhinhos, a mortalidade tem chegado a 15% a 18%. E nos jovens fica em torno de 0,2%. É uma doença que mata velho não mata jovem”, diz Jatene.

O vice-presidente do Conselho Diretor do Instituto InCor afirmou ainda que a estimativa é que a Grande São Paulo terá cerca de 45 mil casos da doença. “Destes, de 10 a 11 mil casos vão precisar de UTI. E não temos isso disponível”, diz o cirurgião. “A Itália tem enfrentado esse problema, com as UTIs lotadas estão colocando doentes no centro cirúrgico porque tem respirador. Todas as operações foram suspensas. O Hospital das Clínicas já destinou 75 leitos da UTI só pra coronavírus. Na sequência os leitos do Incor serão mobilizados e estão julgando que vai ser insuficiente”.

Jatene afirmou ainda que a doença se instala rapidamente no organismo e o pico da piora ocorre entre entre 5 e 7 dias a partir da infecção. “Em quatro meses a expectativa é de que o surto se resolva. Vai vir com força, contaminar um monte de gente. Mas, ano que vem, já virou um vírus normal, pequeno, porque as pessoas vão adquirir resistência, os jovens não vão demonstrar a doença”, disse.

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