Para o presidente do Sindicato Nacional do Ensino Superior, Gonçalo Leite Velho, o aumento de alunos deve traduzir-se num reforçar das verbas, “sob pena de se estar a hipotecar o futuro dos jovens”.

Os professores do ensino superior aplaudem o aumento de alunos, mas alertam que é preciso reforçar em 100 milhões de euros a verba do Orçamento do Estado destinada às universidades e politécnicos, para não “hipotecar o futuro dos jovens”.

Em declarações à Lusa, o presidente do Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESUp), Gonçalo Leite Velho, saudou o aumento de 15% de alunos que entraram na 1.º fase do Concurso Nacional de Acesso: São quase 51 mil estudantes, o número mais elevado de sempre.

“Desde 2015 que tem havido um crescimento de alunos. Estes resultados são ótimos, mas trazem consigo uma responsabilidade“, alertou, lembrando que as verbas transferidas do Orçamento de Estado para as Instituições de Ensino Superior (IES) “continuam abaixo dos valores dos tempos da Troika”.

“Nunca ultrapassámos os cortes de 2011. O subfinanciamento de muitas instituições traduz-se em graves problemas“, alertou, referindo-se a equipamentos envelhecidos ou inexistentes, infraestruturas em mau estado e docentes e investigadores em situação precária.

Segundo as contas do SNEsup, são necessários cerca de 200 milhões de euros para recuperar os valores de 2010: “Sabemos que é um valor difícil de alcançar, por isso defendemos que haja um reforço de 100 milhões no próximo OE agora e outro de valor igual em 2022”, explicou.

No ano passado, a verba do OE para o Ensino Superior rondou os 1,16 mil milhões de euros, o que significou “um aumento de 24 milhões” em relação à verba de 2018. Agora, defendeu o presidente do SNESup, “é preciso multiplicar este aumento por quatro para que haja condições de financiamento”.

Para Gonçalo Leite Velho, o aumento de alunos deve traduzir-se num reforçar das verbas, “sob pena de se estar a hipotecar o futuro dos jovens”. Além da necessidade de requalificar as instituições, Gonçalo Leite Velho alertou que é preciso resolver a situação dos precários, que são “quem está a pagar este subfinanciamento”.

Existem “cerca de três mil jovens investigadores com bolsas” ou outras soluções precárias e “cerca de sete mil a trabalhar em tempo parcial com contratos precários”, alertou.

Segundo contas do SNESup, existem milhares de jovens docentes que estão a receber 30% do valor de um docente de carreira normal. No total, a regularização destas situações custará cerca de 30 milhões de euros, segundo estimativas do sindicato.

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