Na capital uruguaia, ele participa, segundo informou a assessoria do Planalto, da sessão solene de compromisso de honra e declaração de fidelidade, na sede do Congresso; da cerimônia de transmissão de mandato presidencial, na qual o atual presidente, Tabaré Vasquez, transmitirá o cargo a Lacalle Pou; da posse dos ministros; e dos cumprimentos dos chefes de delegações oficiais ao novo presidente. A previsão é retornar à noite para Brasília.

Além de Bolsonaro, a delegação brasileira terá Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores; Augusto Heleno, ministro do Gabinete da Segurança Institucional (GSI); Luis Carlos Heinze , senador (PP-RS); Celso Russomanno, deputado federal (Republicanos-SP), e Cristina Peduzzi, presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Participam também da posse os presidentes de Chile, Colômbia e Paraguai, os vice-presidentes de Costa Rica e Equador e autoridades de Argentina e Peru, além do rei Filipe VI, da Espanha, do ministro do Ambiente e Transição Energética de Portugal e do chanceler do México.

Filho do ex-presidente Luis Alberto Lacalle, o novo chefe de Estado era senador quando concorreu à Presidência pela segunda vez na carreira política. Derrotado em 2014, Lacalle Pou saiu vencedor no pleito de 2019 em uma disputa acirrada com o governista Daniel Martínez.

Advogado, casado e pai de três filhos, Luis Lacalle Pou assume a presidência aos 46 anos. Ele nasceu em Montevidéu, em 11 de agosto de 1973, ano em que um golpe militar deu início a uma ditadura de 12 anos no Uruguai.

As denúncias de corrupção surgidas durante o mandato do pai não inviabilizaram a carreira política de Lacalle Pou, eleito deputado em 1999. Doze anos mais tarde, presidiu a Câmara dos Deputados e se tornou um dos principais nomes da oposição ao governo de Jose Mujica, da Frente Ampla, de esquerda.

Em 2014, Lacalle Pou se candidatou pela primeira vez à Presidência do Uruguai e chegou ao segundo turno. Derrotado por Tabaré Vázquez por uma diferença superior a 10% dos votos, manteve o cargo de senador para o qual se elegeu naquele mesmo ano.

O novo presidente apostou em um discurso de enxugamento de gastos públicos e prometeu fortalecer as forças de segurança em um momento no qual o Uruguai passa por aumento nos índices de criminalidade.

De acordo com o secretário de Negociações Bilaterais e Regionais nas Américas, embaixador Pedro Miguel da Costa e Silva, a posse de Lacalle Pou inaugura "uma nova era" nas relações diplomáticas entre Brasil e Uruguai.

"Essa visita, além do caráter protocolar, tem um simbolismo que inaugura, inicia, uma nova etapa da relação com o Uruguai. Ficou claro, com o contato dos presidentes e durante a visita do futuro chanceler a Brasília, uma grande sintonia. Não só na agenda bilateral, como na agenda regional", afirmou Costa e Silva.

"O elemento novo vai ser uma maior sintonia, uma maior possibilidade de trabalhar juntos nos temas regionais. Já recebemos indicações que haverá mudanças de posições em relação a temas centrais para o Brasil na agenda regional, como Venezuela e Bolívia. Eu imagino que isso terá impacto na atuação do Uruguai na OEA [Organização dos Estados Americanos]", afirmou Costa e Silva.

Segundo ele, entre os temas a serem tratados pelos dois países nos próximos anos, se destacam o trabalho conjunto na região de fronteira, segurança, prestação de serviços públicos compartilhados e infraestrutura.

Crítico dos governos de esquerda na América Latina, Bolsonaro defendeu publicamente a candidatura de Lacalle Pou nas eleições do ano passado, a exemplo do que fez com a de Mauricio Macri na Argentina, derrotada pela chapa Alberto Fernández-Cristina Kirchner.

Para a posse na Argentina, em dezembro, Bolsonaro enviou o vice-presidente Hamilton Mourão. Foi a primeira vez desde 2003 que um chefe de Estado brasileiro não compareceu à posse de um presidente argentino.

Após trocas de farpas, Bolsonaro e Fernández ensaiam uma aproximação. Os dois chegaram a negociar uma reunião em Montevidéu, aproveitando a viagem para posse de Lacalle Pou. Mas o presidente argentino não deverá comparecer. Uma nova data poderá ser acertada.

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