RIO — Um laudo da perícia criminal da Polícia Civil aponta a contaminação de duas amostras da cerveja Belorizontina, da cervejaria Backer, com a substância dietilenoglicol. O documento foi enviado pela polícia a autoridades estaduais e municipais da área da saúde.

Em laudo enviado para a secretaria de Saúde de Belo Horizonte e do estado de Minais Gerais, e obtido pelo jornal O GLOBO, um perito da Polícia Civil informa que “nas duas amostras de cerveja encaminhadas pela vigilância sanitária do município de Belo Horizonte (cerveja pilsen marca Belorizontina lotes L1 1348 e L2 1348) foi identificada a presença da substância dietilenoglicol em exames preliminares. Ressalto que estas garrafas foram recebidas lacradas e acondicionadas em envelopes de segurança da vigilância sanitária municipal”. A informação foi confirmada mais tarde em coletiva de imprensa.

Quatro garrafas da cerveja, recolhidas pela Vigilância Sanitaria na casa de pacientes que sentiram os sintomas da doença misteriosa, foram enviadas para análise paa o Instituto de Criminalística da Polícia Civil de Minas Gerais, para investigar possível contaminação.

Em nota, a Backer informou ser preciso ressaltar que “a substância não faz parte do processo de produção da cerveja Belorizontina”. Mas que “por precaução, os lotes em questão – L1 1348 e L2 1348 – citados pela Polícia Cilvil, e recolhidos na residência dos consumidores citados, serão retirados imediatamente de circulação, caso ainda haja algum remanescente no mercado”. A Backer também afirma “estar à disposição das autoridades para contibuir com a investigação e tem total interesse que as causas sejam apuradas, até a conclusão dos laudos e investigação”.

Por volta das 23h30 de quarta-feira, o resultado deu positivo para a substância dietilenoglicol. A polícia orienta que os consumidores não consumam a cerveja Belorizontina dos lotes L1 1348 e L2 1348, pois há grande risco de contaminação.

Na tarde desta quinta-feira a Polícia Civil uma inspeção na fábrica da cervejaria Backer, que fica no bairro Olhos D’Água, no oeste da capital mineira. A cerveja Belorizontina havia sido atrelada, em relatos nas redes sociais, aos sintomas da doença. Na fábrica, os agentes também recolheram outras garrafas que ainda serão comparadas com as fornecidas por famílias de pacientes.

Até o momento, a doença misteriosa matou uma pessoa e causou a internação de pelo menos outras sete. As vítimas têm idades entre 23 e 76 anos e apresentaram os mesmos sintomas — desconforto gastrointestinal (náusea, vômito e dor abdominal), insuficiência renal aguda de evolução rápida (em até 72 horas) e alterações neurológicas como paralisia facial, vista borrada, cegueira total ou parcial.

A vitima fatal foi identificada como Paschoal Dermatini Filho, de 55 anos. Ele estava internado desde 31 de dezembro no Hospital Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, e morreu na última terça-feira, em decorrência de uma parada cardiorrespiratória.

Todos os afetados pela doença estão, de alguma forma, ligadas ao bairro Buritis, de classe média alta: trabalham, moram ou passaram por lá nos dias anteriores à contaminação. Os casos começaram a aparecer no final de dezembro.

Uma força tarefa foi montada para investigar os casos. A equipe é formada por técnicos da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde de Minas Gerais (CIEVS Minas), da Secretaria Municipal de Saúde de BH (CIEVS BH) e do Ministério da Saúde (EpiSUS).

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