A Série C do Campeonato Brasileiro está entrando em um momento decisivo. Restando apenas quatro rodadas para o fim da sua primeira fase, a competição já tem definidos um classificado (o Santa Cruz) e um rebaixado (o Imperatriz), ambos no Grupo A. Enquanto isso, no Grupo B, ainda não há qualquer definição sobre quem avança e quem cai.

Pensando em apresentar ao torcedor as chances de classificação e de rebaixamento de cada um dos 20 clubes que estão na competição, o ge consultou o matemático Gustavo Esteves para fazer os cálculos e apontar as probabilidades de cada equipe.

Segundo o especialista, que é doutor em bioinformática e professor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), as projeções são feitas a partir dos jogos que já aconteceram e também com base em uma simulação computacional.

– A gente usa uma modelagem probabilística que é conhecida como Distribuição Bivariada de Poisson de Holgate. Eu peguei todos os jogos que já aconteceram na Série C deste ano e uso as informações para calcular os parâmetros dessa Distribuição de Poisson Bivariada. Para a próxima rodada, com esses parâmetros da distribuição de probabilidades, eu consigo calcular as probabilidades dos placares possíveis e, em função disso, dá para calcular as probabilidades de vitória do time mandante, do time visitante ou de empate. Para os casos das probabilidades de classificação e rebaixamento, eu pego todos os jogos que faltam, calculo todos os parâmetros e utilizo uma estratégia de simulação, ou seja, eu simulei 10 mil vezes esses jogos todos. Com base nos resultados simulados no computador, a gente consegue calcular a probabilidade, que chamamos de probabilidade frequentista – disse Gustavo Esteves.

O Santa Cruz, líder da chave, já está confirmado na segunda fase da Série C. Segundo e terceiro colocados, respectivamente, Remo e Vila Nova estão com a classificação bem encaminhada, passando dos 99% de chance de avançar. Fechando o G-4, o Paysandu, por sua vez, tem 59%, segundo o matemático, de se classificar à próxima fase.

Outros cinco times – Manaus, Ferroviário, Jacuipense, Treze e Botafogo-PB – correm por fora, mas ainda com chances – maiores ou menores – de terminar a primeira fase no G-4.

Importante destacar que, como os cálculos levam em conta as probabilidades dos times nas quatro rodadas retantes, há equipes que têm mais chances que rivais que, no momento, estão melhor colocados na tabela. É o caso do Ferroviário, que, apesar de estar na sexta colocação, tem mais chances de classificação que o Manaus, que é quinto colocado.

Na zona da degola, o Imperatriz, lanterna, já está rebaixado para a Série D de 2021. O Botafogo-PB, penúltimo colocado, segue em situação complicada e é o time com mais chances de se juntar á equipe maranhense e também cair. Com a derrota para o Remo na última rodada, o Treze também segue ameaçado, com 27% de chance de queda.

Na Chave B, a luta pelas quatro vagas na próxima fase está mais em aberto, uma ver que ninguém garantiu ainda a classificação antecipada e nove equipes ainda disputam todas as posições no G-4; apenas o Boa Esporte já não tem mais possibilidades. Os quatro primeiros colocados são necessariamente os que têm mais chances de avançar, com o Brusque praticamente garantido, superando a marca dos 99% de probabilidade.

Na parte de baixo da Chave B, a disputa é apenas entre seis times: Ituano, Criciúma, São José, Volta Redonda, São Bento e Boa Esporte ainda correm risco de rebaixamento, com o Boa superando os 90% de chance de queda, tendo que protagonizar uma improvável reviravolta para escapar da queda, e o time de Itu tendo menos que 1% de risco. Enquanto isso, os quatro primeiros colocados – Brusque, Ypiranga, Tombense e Londrina – já estão livres desse perigo.

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