Em transmissão ao vivo no Facebook na manhã deste sábado (14), o prefeito de Osasco, Rogério Lins, falou sobre ações em andamento contra o novo coronavírus (Covid-19) no município, com destaque para a suspensão das aulas em toda a rede municipal de ensino, inclusive nas creches, a partir do dia 23 de março, por tempo indeterminado.

Na próxima semana, as famílias de alunos da rede municipal vão receber orientações sobre a prevenção a doença e o aviso sobre a suspensão das aulas na semana seguinte. Algumas unidades podem suspender as aulas já antes do dia 23.

“Recebemos um documento da Secretaria Estadual da Educação recomendando que, do dia 16 ao dia 22, a gente comece a organizar a suspensão das aulas de maneira gradativa, para que a gente possa preparar as famílias para se reorganizarem em relação aos seus filhos”, explicou o prefeito de Osasco. “E no dia 23, todas as aulas serão suspensas por período indeterminado”.

O prefeito de Osasco destacou ainda que, até o momento, Osasco não tem nenhum caso do novo coronavírus confirmado e reclamou de fake news que têm se espalhado nas redes sociais sobre a doença no município.

“Em Osasco, nós não temos nenhum caso confirmado. Os dados são atualizados diariamente. Torço para que não tenhamos nenhum caso na cidade, mas, se vier a acontecer, vai ser divulgado. Não há motivo para pânico, mas há motivo para prevenção. Precisamos prevenir. É melhor prevenir do que remediar”, destacou Rogério Lins.

Ele mencionou uma fake news que diz que um casal teve a doença confirmada em Osasco. Trata-se, na verdade, de uma montagem feita “em cima” de uma matéria de um grande portal de notícias sobre uma investigação do Ministério Público. “É um absurdo as pessoas brincarem com coisas tão sérias”, declarou o prefeito de Osasco. “Por favor, divulguem as notícias oficiais, averíguem as fontes”, pediu.

“A cidade de Osasco, seguindo recomendação do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual da Saúde, criou um protocolo de contingência, conseguindo leitos, adotando medidas necessárias de isolamento, caso aconteça alguma contaminação na nossa cidade. As pessoas que sentirem os sintomas, vão poder ir às unidades de saúde fazer um exame e em 24 horas sai o resultado, que posteriormente é revalidado”, destacou.

O Governador João Doria confirmou, nesta sexta-feira (13), que São Paulo vai intensificar as medidas de enfrentamento ao novo coronavírus. Em acordo com o Ministério da Saúde, ficou definido que haverá interrupção gradual das aulas na rede estadual de ensino a partir de segunda (16), o adiamento de eventos públicos ou privados que reúnam 500 ou mais pessoas e a suspensão por 60 dias das férias de funcionários da rede estadual da Saúde.

“As decisões não são fruto de intuição ou decisões políticas. São decisões amparadas em fatos e informações de ordem técnica e se dão em virtude de circunstâncias, números e evidências”, afirmou Doria. “Desde o início desta crise do coronavírus, nós temos dito que a avaliação seria feita diariamente e, até quando necessário, a cada hora, dada as circunstâncias”, acrescentou.

O reforço nas ações foi determinado após reunião entre Doria, o Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, o Secretário de Estado de Saúde José Henrique Germann Ferreira e o Coordenador do Centro de Contingência do coronavírus em São Paulo, o médico infectologista David Uip.

A interrupção das aulas e restrição de eventos com público visa reduzir a circulação de pessoas, uma vez que os serviços de saúde confirmaram a transmissão local do covid-9 em São Paulo. A contaminação já ocorre entre pessoas que residem no estado e não viajaram para países onde a contaminação ocorria anteriormente.

A rede estadual de ensino reúne 5,1 mil escolas e atende 3,5 milhões de alunos. As aulas serão interrompidas gradualmente a partir do dia 16 até o próximo dia 23, quando a paralisação será total nas unidades de ensino. O Governo de São Paulo recomenda que a medida também seja adotada por todas as escolas particulares do estado.

Na semana que vem, as escolas permanecerão abertas para receber as famílias dos alunos e oferecer orientações. Uma delas é evitar que crianças e jovens permaneçam em casa sob a tutela dos avós ou parentes com mais de 55 anos. Os idosos formam o grupo mais vulnerável aos sintomas respiratórios graves provocados pelo covid-9.

“As aulas não serão suspensas de forma repentina. As famílias precisam se organizar. Faremos esta comunicação durante toda a semana que vem. A suspensão das aulas é uma forma responsável de prevenção ao coronavírus”, declarou Rossieli. Entre os dias 16 e 20, os alunos que já tenham condições de permanecer em casa com responsáveis com idade inferior a 55 anos não necessitam ir às escolas.

Durante a interrupção, a Secretaria da Educação buscará opções para que todos os alunos participem de aulas ou atividades educacionais pela internet. A retomada das ano letivo só será definida conforme o avanço do coronavírus for contido no estado de São Paulo.

Já a partir de sábado (14), os eventos promovidos pelo Estado que poderiam reunir aglomerações com mais de 500 pessoas estão suspensos por tempo indeterminado. A mesma restrição deve ser seguida em eventos particulares de qualquer natureza – cultural, esportiva, religiosa etc.

“Nossa posição é clara. A recomendação é que nenhum evento com mais de 500 pessoas seja realizado. Qualquer evento e de qualquer natureza. Até 500 pessoas não há restrições, acima há”, afirmou o Governador.

O Ministro da Saúde confirmou a liberação de R$ 94 milhões para São Paulo investir em ações previstas no plano estadual de contingência. Mandetta também disse que a União reservou R$ 1 bilhão para custear a ampliação de horários de atendimento em unidades de saúde de todo o Brasil.

“Cada solicitação de abertura de leito será atendida imediatamente para habilitação do Ministério da Saúde. Queremos que as UBS estejam mais tempo abertos, mas cabe ao município a melhor organização para esta ampliação”, explicou Mandetta.

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