Crivella é o sexto político com cargo de comando que vai para cadeia no Rio | Jornal Nacional

A prisão de Marcelo Crivella deixou a Prefeitura do Rio sob a administração do presidente da Câmara de Vereadores. Crivella é o sexto político com cargo de comando que vai para cadeia no Rio.

As origens da operação que prendeu o prefeito do Rio remetem a outro personagem da política fluminense: o ex-governador Sérgio Cabral, preso quatro anos atrás.

As investigações apontaram para a participação de doleiros no esquema de corrupção que se instalou no governo do Rio, entre eles, Sergio Mizrahy que, atrás das grades, fez delação premiada.

As provas e os documentos foram compartilhados com o Ministério Público estadual e tornaram o ponto de partida para a descoberta de um esquema de corrupção também na Prefeitura do Rio, que resultou na operação desta terça-feira (22).

Nos últimos quatro anos, a polícia prendeu, além de Cabral, outros quatro ex-governadores do estado: Moreira Franco, Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho e Luiz Fernando Pezão.

O atual governador Wilson Witzel, do PSC, está afastado do cargo, desde agosto, primeiro, por uma decisão da Justiça e, depois, por um processo de impeachment. O motivo: suspeitas de corrupção na saúde.

O Rio vive uma situação inédita com governador e prefeito da capital afastados ao mesmo tempo. Quem administra o estado é o vice-governador e, no comando da Prefeitura do Rio, está a partir desta terça o presidente da Câmara de Vereadores.

Isso porque a cidade não tem vice-prefeito. Fernando Mac Dowell, eleito com Crivella em 2016, morreu dois anos depois.

Jorge Felippe, do Democratas, preside o Legislativo carioca pela sexta vez consecutiva.

Na manhã desta terça, ele se reuniu com o secretariado como prefeito em exercício. Jorge Felippe terá pouco tempo para administrar dois problemas urgentes: o alto número de mortes por Covid na cidade, que tem a maior taxa do país, e o atraso no décimo terceiro salário dos servidores.

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O mandato de Marcelo Crivella acaba em nove dias.

Na decisão, a desembargadora Rosa Helena Guita justificou a prisão e o afastamento do prefeito, afirmando que “embora o governo esteja se encerrando, os contratos firmados mediante fraude das licitações permanecem em vigor” e disse que, “mesmo preso, poderia o prefeito continuar despachando e liberando os últimos pagamentos ilícitos aos seus comparsas, terminando, por assim dizer, de limpar os cofres públicos”.

“A prisão preventiva se mostrava necessária porque nós entendemos que essa organização criminosa hoje não se esgotaria com o término do mandato. Ela se estenderia até porque os processos de lavagem de dinheiro, os processos de arrecadação se perpetuam, não paralisariam no dia 31 de dezembro agora”, afirmou o subprocurador-geral de Justiça, Ricardo Ribeiro Martins.

A defesa de Wilson Witzel disse que o governador afastado jamais compactuou com qualquer tipo de irregularidade ou recebeu vantagem ilícita em razão do cargo.