Em 2018, nasceram 141.819 mil crianças no Pará, correspondendo a 3.135 nascidos a mais se comparados ao ano anterior, segundo estatísticas do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc), do Ministério da Saúde (MS). Os dados indicam o quanto são importantes as políticas públicas voltadas às mulheres no período de gestação no Estado. 

No Dia da Gestante, celebrado em 15 de agosto, a Secretaria de Saúde do Pará (Sespa) ressalta a importância da mulher reconhecer o fluxo de atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e os direitos que envolvem uma série de garantias, que vão desde a atenção obstétrica e o cuidado hospitalar à necessidade de realizar, gratuitamente, o teste para detecção de sífilis e/ou HIV.

A gestante deverá procurar a unidade de atenção básica mais próxima de sua residência para avaliação em consultas de pré-natal, com o objetivo de assegurar o desenvolvimento saudável da gestação e um parto com um mínimo de riscos para a mãe e o bebê. O pré-natal na UBS deve começar tão logo descubra ou desconfie que esteja grávida e o ideal é que seja até a 12ª semana de gestação.

Entre os principais exames a serem realizados no pré-natal pelo SUS estão a tipagem sanguínea e fator Rh, que identifica o tipo de sangue da mulher. Se a gestante tem Rh negativo e o pai do bebê tem Rh positivo, ela deve fazer um outro exame durante o pré-natal, o Coombs Indireto.

Após o nascimento, caso o bebê tenha Rh positivo, a mulher deverá tomar uma vacina gratuita pelo SUS em até 3 dias após o parto, para evitar problemas na próxima gestação.

Além desse exame, estão previstos ainda o Hemograma, a Eletroforese de Hemoglobina, Glicemia, Exame de urina e urocultura e o Teste rápido de sífilis e VDRL – que identificam a sífilis, doença sexualmente transmissível que pode passar da gestante para o bebê durante a gravidez. Em caso de teste positivo, a gestante e seu parceiro devem ser tratados o mais rápido possível.

Ainda no início do pré-natal, a gestante tem o direito, pelo SUS, de também fazer o teste de HIV, que identifica o vírus causador da Aids, que pode ser transmitido da mãe para o filho durante a gravidez, o parto ou a amamentação. Quanto mais cedo iniciar o tratamento, maior a chance de a mulher e seu bebê ficarem saudáveis. Outros exames, como o de detecção de hepatites B e C, também devem ser feitos. A mãe que for portadora do vírus HIV ou HTLV não deve amamentar o bebê. Por conta disso, ela tem o direito de receber leite em pó, gratuitamente, pelo SUS, até a criança completar seis meses ou mais.

Ainda no período de gestação e durante os exames, a gestante tem o direito, assegurado pela Lei nº 11.634 de 2007, de ser informada anteriormente, pela equipe do pré-natal, sobre qual a maternidade de referência para seu parto e de visitar o serviço antes do nascimento da criança.

No fluxo de atendimento em média complexidade às gestantes no Pará, a Sespa mantém a Unidade de Referência Materno Infantil e Adolescente (Uremia), em Belém, para onde são encaminhadas pacientes já avaliadas nas Unidades Básicas de Saúde e que apresentam alguma alteração ou doença que seja classificada como Alto Risco Gestacional.

“Geralmente, a gestante vem encaminhada para a Uremia por doenças preexistentes que oferecem riscos a ela e ao bebê, como diabetes, hipertensão arterial, cardiopatias, neuropatias, e ainda situações de infecções e/ou sorologias positivas, como HIV, sarampo, rubéola, toxoplasmose, citomegalovirus bem como gravidez na adolescência associada à comorbidade ou alteração do estado psicológico que ofereça risco à mãe e filho” – Graciete Ferreira, diretora da Unidade.

Em média, 350 gestantes são atendidas por mês na Uremia mediante 600 consultas, incluindo retorno. Só este ano, 1.380 gestantes passaram por primeira consulta na Unidade, consolidando no período 2.563 gestantes que retornaram ao local para mais procedimentos.

Para a gestante encaminhada à Uremia são oferecidos atendimentos médicos especializados; acompanhamento com equipe multiprofissional formado por enfermeiras, psicólogas, nutricionistas, assistentes sociais e fisioterapeutas); Testagem rápida para sífilis, HIV e hepatites B e C, exames laboratoriais e de imagem, além de vacinação, antropometria e controle de sinais vitais.

Entre os hospitais estaduais públicos de alta complexidade que são referência para atendimento às gestantes no Estado, estão a Fundação Santa Casa de Misericórdia, em Belém, e o Hospital Regional Abelardo Santos, no distrito de Icoaraci, também na capital paraense. A Clínica Obstétrica da Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (FHCGV) atende, mediante referência, gestantes cardiopatas, com problemas renais e psiquiátricos. (Com informações do Ministério da Saúde). 

Após quatro gestações perdidas, Natália Vieira, 35, em sua quinta gestação optou por fazer o pré-natal no ambulatório da gestante da Santa Casa desde o primeiro momento que descobriu a gravidez. Ela conta que está se sentindo muito segura com o atendimento recebido na instituição. “Vejo a Santa Casa como referência, e mesmo tendo plano de saúde, optei por fazer o pré-natal aqui e me sinto muito segura com os profissionais e pela qualidade do atendimento”, ressalta Natália.

“É muito difícil encontrar profissionais especializados em gravidez de alto risco, e eu precisava ser acompanhada por especialistas, e agora estou sendo acompanhada da melhor maneira possível. Estou sendo atendida de uma forma completa mesmo, com as medicações necessárias e exames complementares para atender as necessidades da minha gravidez”, contou a paciente.

Camila de Freitas Tavares, 19, mora no município de Inhangapi, nordeste do Estado, e pelo menos uma vez por mês vai ao ambulatório da gestante, na Santa Casa do Pará, para sua consulta de pré-natal. Ela conta que por ser diabética, sua gravidez foi considerada de alto risco, mas já está no sétimo mês de gestação e gosta muito do atendimento recebido no pré-natal.

“Eu fazia o pré-natal lá, mas os exames mostraram que minha glicemia estava alta, por isso a enfermeira me encaminhou para fazer o pré-natal na Santa Casa. Gostei muito daqui. As consultas são ótimas, a gente é bem atendido por todos os profissionais, principalmente pelos médicos, que dizem para a gente ficar em casa por causa da pandemia, e sair somente para consultas ou realizar exames, e sempre de máscara. Aqui é ótimo”, avaliou Camila

Atendendo no ambulatório da gestante desde 2010, o médico obstetra Jorge Sidney Moraes, explicou que as pacientes que são atendidas no ambulatório da gestante são de alto risco e precisam manter os cuidados recomendados pelas autoridades sanitárias para evitar a contaminação e proliferação do novo coronavírus.

“Toda paciente que vem fazer acompanhamento aqui já chega com diagnóstico definido. Geralmente, são gestantes diabéticas, hipertensas ou com outro diagnóstico que  podem comprometer o desenvolvimento da gestação. Aqui, essas gestantes são acompanhadas por uma equipe multiprofissional formada por médicos, enfermeiras, psicólogos, nutricionistas e outros profissionais. Devido à pandemia, recomendamos que as gestantes evitem aglomerações e ao saírem de casa usem a máscara, lave bem as mãos e sempre que possível higienizar com álcool gel” – médico obstetra Jorge Sidney Moraes, da Santa Casa.

No primeiro semestre de 2020, o ambulatório da gestante realizou 5.500 atendimentos, sendo 3.868 consultas médicas e 1.632 atendimentos de outros profissionais. (Com informações da Ascom/Santa Casa).

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